Teerão endurece posição sobre Ormuz e diz que estreito “permanecerá para sempre” sob controlo iraniano

Responsável iraniano classificou o estreito como uma “alavanca económica, política e militar abrangente”, numa altura em que a passagem estratégica continua no centro da crise internacional provocada pela guerra

Francisco Laranjeira

O Estreito de Ormuz “permanecerá para sempre na posse e sob a administração” de Teerão, afirmou Ebrahim Azizi, presidente da comissão de segurança nacional do Parlamento iraniano, em declarações divulgadas pela agência estatal ‘ISNA’ e citadas pela ‘Sky News’.

O responsável iraniano classificou o estreito como uma “alavanca económica, política e militar abrangente”, numa altura em que a passagem estratégica continua no centro da crise internacional provocada pela guerra. A posição de Teerão reforça a leitura de que o Irão vê Ormuz não apenas como uma rota marítima, mas como um instrumento de pressão geopolítica.

O Estreito de Ormuz é uma das passagens energéticas mais importantes do mundo. Por esta rota circula cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito a nível global, o que transforma qualquer interrupção na navegação num risco imediato para os mercados de energia, para os preços dos combustíveis e para cadeias de abastecimento internacionais.

No início da guerra, o Irão bloqueou o estreito, levando posteriormente os Estados Unidos a avançarem com o seu próprio bloqueio naval em resposta. Apesar de o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano garantir que foram tomadas medidas para restabelecer o fluxo de navios, grande parte das embarcações continua retida na região, mantendo a pressão sobre o comércio internacional.

A pressão diplomática ocidental tem aumentado, com o Reino Unido a defender a reabertura plena da navegação. A ministra britânica dos Negócios Estrangeiros, Yvette Cooper, já tinha apelado à retoma total do transporte marítimo através do Estreito de Ormuz, alertando para o impacto económico global da continuação das restrições.

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A preocupação não se limita ao petróleo e ao gás. Cooper avisou que o mundo está a “caminhar sonâmbulo para uma crise alimentar global” caso o bloqueio se prolongue, devido ao impacto sobre o transporte de fertilizantes e outros bens essenciais. O ‘The Guardian’ noticiou esta terça-feira que a chefe da diplomacia britânica pediu medidas urgentes para libertar o fornecimento de fertilizantes e evitar uma nova escalada nos preços alimentares.

A crise em Ormuz tem também mobilizado uma coligação internacional mais ampla. Mais de 40 países participaram recentemente em discussões sobre formas de pressionar Teerão a reabrir a passagem, incluindo medidas diplomáticas, económicas e eventuais mecanismos para garantir corredores humanitários e comerciais.

A declaração de Ebrahim Azizi indica, contudo, que o Irão não pretende abdicar facilmente do controlo político sobre o estreito. Ao apresentar Ormuz como uma ferramenta económica, militar e estratégica, Teerão sinaliza que a reabertura total da passagem poderá depender não apenas de condições operacionais, mas também de negociações mais amplas sobre segurança regional, sanções e liberdade de navegação.

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Para os mercados internacionais, o risco continua elevado. Enquanto a circulação de navios não for normalizada, a crise no Estreito de Ormuz deverá manter pressão sobre energia, transportes, fertilizantes e alimentos, com consequências que podem ir muito além do Médio Oriente.

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