Fim de viagem para o ‘cruzeiro do hantavírus’: como será a longa quarentena da tripulação em camarotes portáteis

Responsáveis pela operação explicaram que a zona está “isolada do mundo exterior” e situada a cerca de “oito quilómetros da civilização”.

Executive Digest

O MV Hondius, que ficará associado ao surto de hantavírus a bordo, chegou esta segunda-feira ao porto de Róterdam, nos Países Baixos, naquela que marca a última etapa da viagem do navio de bandeira holandesa. A embarcação será agora submetida a longas e intensas operações de desinfeção pelas autoridades sanitárias.

Para parte da tripulação que ainda permanecia no interior do navio, porém, o fim do trajeto não significa o regresso imediato a casa. De acordo com o HuffPost, vários tripulantes terão de cumprir uma quarentena prolongada em instalações especiais preparadas no porto de Róterdam.

Dos 27 elementos que não desembarcaram em Granadilla de Abona, em Tenerife, na passada segunda-feira, 25 pertenciam à tripulação. A bordo seguiam ainda um médico e uma enfermeira do Instituto Nacional de Saúde Pública e Ambiente dos Países Baixos.

O grupo é composto maioritariamente por cidadãos filipinos, num total de 17. Há ainda quatro holandeses, quatro ucranianos, um russo e um polaco, que é o capitão do navio.

Segundo o HuffPost, os tripulantes holandeses foram autorizados a abandonar o navio e a dirigir-se para as respetivas casas, onde deverão completar a quarentena. Para os restantes 23 elementos, a situação será diferente, em particular para os 17 tripulantes filipinos.

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Camarotes pré-fabricados ficam “isolados do mundo exterior”

Para estes tripulantes foram preparados camarotes pré-fabricados no cais 7 do porto de Róterdam, uma infraestrutura designada como porto de quarentena neerlandês para navios que apresentem riscos para a saúde.

Responsáveis pela operação explicaram que a zona está “isolada do mundo exterior” e situada a cerca de “oito quilómetros da civilização”.

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A quarentena deverá durar pelo menos seis semanas. No caso dos tripulantes filipinos, esse período será cumprido integralmente nas instalações portuárias, uma vez que, segundo a informação disponível, não existem condições adequadas de isolamento no país de origem e um voo especial de regresso seria demasiado caro.

Internet, cozinha e cama para seis semanas de isolamento

Os camarotes portáteis foram protegidos com barreiras negras para impedir a aproximação de órgãos de comunicação social, trabalhadores ou curiosos. As estruturas contam com o necessário para garantir uma permanência digna durante cerca de mês e meio.

Cada espaço dispõe de pequena cozinha, duche, sofá, cama e lavadora. Os tripulantes terão também acesso à internet através da Starlink, o sistema de ligação por satélite de Elon Musk, para realizarem videochamadas ou comunicarem por mensagens com familiares, amigos e autoridades.

As autoridades acompanham a chegada e a evolução dos tripulantes durante as primeiras horas de isolamento.

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Navio será sujeito a limpeza e desinfeção exaustivas

O meio de comunicação Algemeen Dagblad, com sede em Róterdam, citado no texto original, detalha que outro grupo de tripulantes permanece inicialmente a bordo do MV Hondius.

Esses elementos deverão ficar no navio enquanto decorrem trabalhos de limpeza e desinfeção exaustivos, realizados por uma empresa especializada, antes de serem encaminhados para os respetivos países de origem.

Apesar de nenhum dos 27 elementos apresentar sintomas, as autoridades sanitárias realizaram análises ao sangue à chegada a Róterdam.

Contactos diários com o Serviço Municipal de Saúde

Durante a quarentena, os tripulantes manterão contacto diário com o Serviço Municipal de Saúde. Esse acompanhamento deverá continuar, pelo menos numa fase inicial, até que os responsáveis sanitários determinem que já não é necessário.

O caso do MV Hondius encerra assim a viagem do chamado ‘cruzeiro do hantavírus’, mas abre uma nova etapa para a tripulação, marcada por isolamento prolongado, vigilância médica e uma operação sanitária rigorosa no porto de Róterdam.

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