Casa Branca prepara cenário militar contra o Irão hoje em reunião convocada por Trump

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deverá reunir-se esta terça-feira com os principais conselheiros de segurança nacional.

Pedro Zagacho Gonçalves

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deverá reunir-se esta terça-feira com os principais conselheiros de segurança nacional na ‘Situation Room’ da Casa Branca para discutir possíveis opções de ação militar relacionadas com o Irão, numa altura em que aumentam os receios de uma nova escalada no Médio Oriente.

Segundo a Reuters, que cita dois responsáveis norte-americanos, o encontro servirá para avaliar os cenários disponíveis perante o agravamento das tensões com Teerão, após semanas de negociações inconclusivas, ameaças mútuas e preparativos militares envolvendo também Israel.

A reunião acontece depois de Trump ter afirmado, no domingo, que “o relógio está a contar” para o Irão aceitar um acordo, advertindo que, caso isso não aconteça, “não restará nada deles”. Apesar do tom agressivo, o presidente norte-americano tem repetidamente imposto ultimatos ao regime iraniano antes de recuar ou prolongar negociações.

Porque é que a tensão voltou a aumentar?
A atual crise intensificou-se após os ataques lançados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão em fevereiro, conflito que desencadeou retaliações iranianas contra Israel e contra aliados norte-americanos no Golfo.

Embora tenha sido alcançado um cessar-fogo frágil a 8 de abril, mediado pelo Paquistão, fontes diplomáticas citadas pelo New York Times indicam que Washington e Telavive estão agora envolvidos em “preparativos intensos” para uma eventual retoma dos ataques ainda esta semana.

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Dois responsáveis do Médio Oriente disseram ao jornal norte-americano que se trata da maior mobilização conjunta desde a entrada em vigor da trégua.

Ao mesmo tempo, continuam as negociações indiretas entre Washington e Teerão, mas as posições permanecem distantes.

O que está a exigir Washington?
Segundo a agência iraniana Fars, os Estados Unidos apresentaram recentemente uma proposta com cinco pontos considerados “excessivos” pelas autoridades iranianas.

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Entre as exigências estará a manutenção de apenas uma instalação nuclear operacional no Irão e a transferência para território norte-americano das reservas iranianas de urânio enriquecido a 60%.

Washington terá ainda recusado libertar “mesmo 25%” dos ativos iranianos congelados no estrangeiro ou pagar compensações pelos danos causados pela guerra, segundo os meios de comunicação iranianos.

A proposta norte-americana prevê também que as hostilidades só terminem quando Teerão entrar em negociações formais de paz.

Como respondeu o Irão?
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, confirmou esta segunda-feira que Teerão respondeu à proposta norte-americana e garantiu que os contactos continuam através da mediação paquistanesa.

Durante uma conferência de imprensa, Baghaei afirmou que as exigências iranianas têm sido “firmemente defendidas” em todas as rondas negociais, incluindo o levantamento das sanções económicas e a libertação de ativos congelados.

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O responsável iraniano defendeu igualmente a exigência de reparações de guerra por parte dos Estados Unidos, classificando o conflito como “ilegal e sem fundamento”.

Questionado sobre a possibilidade de uma nova confrontação militar, Baghaei assegurou que o Irão está “totalmente preparado para qualquer eventualidade”.

O papel do Estreito de Ormuz
Um dos principais pontos de tensão continua a ser o controlo do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito comercializado mundialmente em tempos de paz.

Desde o início da guerra, o Irão tem mantido fortes restrições ao tráfego marítimo na região, provocando perturbações nos mercados energéticos globais.

Esta segunda-feira, o Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano anunciou a criação de uma nova entidade, denominada Persian Gulf Strait Authority (PGSA), destinada a gerir o estreito.

Segundo meios iranianos, a estrutura pretende implementar um sistema de “exercício de soberania” sobre Ormuz, incluindo novas regras para embarcações que atravessem a via marítima.

O chefe da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, alertou entretanto que as reservas comerciais de petróleo estão a diminuir rapidamente, acrescentando que os stocks estratégicos libertados pelos países membros da organização “não são ilimitados”.

Trump acusa Irão de dificultar negociações
Numa entrevista à revista Fortune publicada na segunda-feira, Trump descreveu os negociadores iranianos como interlocutores erráticos e contraditórios.

Segundo o presidente norte-americano, “eles gritam o tempo todo”, acrescentando que o Irão está “desesperado para assinar” um acordo.

Trump afirmou ainda que Teerão aceita determinadas condições nas negociações, mas depois envia documentos “sem qualquer relação com o acordo alcançado”.

Na mesma entrevista, o líder norte-americano comparou a liderança iraniana a “um rival empresarial teimoso”.

Israel e aliados regionais no centro da crise
A tensão regional agravou-se também depois de o Irão ter acusado alguns países árabes do Golfo de cooperarem com Israel.

As declarações surgiram após notícias sobre alegadas visitas de dirigentes israelitas aos Emirados Árabes Unidos durante o conflito.

Baghaei advertiu que “alguns países da região” devem retirar lições do que aconteceu nos últimos meses, argumentando que a presença militar norte-americana e israelita “não traz segurança, mas insegurança”.

Os Emirados Árabes Unidos negaram oficialmente que tenham ocorrido visitas israelitas.

Entretanto, um ataque com drone atingiu no domingo a única central nuclear dos Emirados, provocando um incêndio, segundo as informações divulgadas.

O que poderá acontecer agora?
A reunião desta terça-feira na Casa Branca poderá revelar até onde a administração Trump está disposta a ir militarmente caso as negociações fracassem.

Ao mesmo tempo, os contactos diplomáticos continuam ativos, embora marcados por desconfiança mútua, exigências incompatíveis e ameaças públicas cada vez mais agressivas.

Com o Estreito de Ormuz parcialmente condicionado, os mercados energéticos sob pressão e Israel em coordenação estreita com Washington, o Médio Oriente enfrenta novamente o risco de uma escalada militar de grandes dimensões.

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