Óbito/João Abel Manta: Gerações de artistas “puderam ver mais longe” por causa da sua obra

A morte do artista plástico João Abel Manta, na sexta-feira, suscitou reações e homenagens nas redes sociais de artistas, museólogos, historiadores, jornalistas, que o reconhecem como “o mestre” que permite “ver mais longe” a novas gerações de artistas.

Executive Digest com Lusa

A morte do artista plástico João Abel Manta, na sexta-feira, suscitou reações e homenagens nas redes sociais de artistas, museólogos, historiadores, jornalistas, que o reconhecem como “o mestre” que permite “ver mais longe” a novas gerações de artistas.


João Abel Manta morreu na sexta-feira, em Lisboa, aos 98 anos.


André Carrilho, Nuno Saraiva, José Teófilo Duarte estão entre os artistas que reconhecem a sua referência, assim como o historiador de arte David Santos, diretor do Museu do Neo-Realismo, o jornalista José Silva Pinto, cofundador e ex-diretor do extinto semanário O Jornal, e o ensaísta Pedro Piedade Marques, que assina o posfácio à reedição recente de “Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar”, do arquiteto, artista plástico, cartoonista, ilustrador e designer.


A obra de João Abel Manta, escreve hoje Pedro Piedade Marques na sua página no Facebook, “não se confinou aos espaços rarefeitos do comércio artístico (salões, galerias ou museus), tendo antes sido, em grande parte, produzida para a reprodução em massa, em cartazes, revistas, jornais e livros. O seu comércio foi de ideias, de provocação cultural, e feito diretamente connosco, nas paredes e muros das cidades, nos quiosques e nas livrarias ou nas bibliotecas públicas”.


O ilustrador e cartoonista André Carrilho, por seu lado, escreve que, “sem o conhecer”, João Abel Manta foi o seu mestre. Na “santa trindade” dos desenhadores de imprensa, com Bordallo Pinheiro e Stuart de Carvalhais, “o Manta” foi, para Carrilho, “o que mais impacto causou, e que fez a crónica gráfica de um país que saiu da noite para o dia, antes e depois do 25 de Abril”.

Continue a ler após a publicidade

“Gerações de artistas do pós-25 de Abril puderam ver um pouco mais longe, porque tiveram a sorte de ter os ombros do gigante João Abel Manta como amparo”, garante o autor de “A menina com os olhos ocupados”.


António, cartoonista do semanário Expresso, reproduz na sua página o retrato de João Abel Manta que concebeu para a estação de metro do Aeroporto de Lisboa. E o cartoonista Nuno Saraiva, por seu lado, escreve no Facebook que o legado de João Abel Manta “é uma marca que está gravada na pele”, “é mais do que epidérmico, faz parte do ADN português”.


Reproduzindo as suas declarações à Rádio Renascença, Nuno Saraiva afirma: “Para mim, vai sempre representar não apenas a alegria e a embriaguez da revolução, mas também, por outro lado, o momento em que uma pessoa bate, dá um murro na mesa e desiste. Há que respeitar o João Abel Manta da revolução e o que diz não e vira as costas.”

Continue a ler após a publicidade

O pintor José Teófilo Duarte, numa publicação partilhada com a Festa da Ilustração de Setúbal, declara que “morreu um nome maior das artes do mundo”, “sempre preocupado com o que a política tem de pior, mas sempre mobilizado para a denúncia e para a alternativa ao passadismo reacionário”.


“Não descansou nunca perante as ameaças à democracia e à liberdade”, prossegue. “Esclareceu-nos com a sua capacidade de interpretação das realidades ameaçadoras, sempre com inteligência, cultura e extremo humor”.


A longa colaboração de João Abel Manta com o antigo semanário O Jornal é recordada pelo jornalista José Silva Pinto, que descreve alguns dos cartoons, no Facebook. “Foram anos e anos de puro prazer o que os seus magníficos cartoons […] ofereceram a quem fazia O Jornal” e aos seus leitores.


“Sempre atento ao que se passava, […] João Abel Manta traduzia em magníficos desenhos o clima político em curso”, como aquele em que “colocava um Ze Povinho a desafiar Einstein a resolver um problema”.


O Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa, e o Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, homenageiam igualmente João Abel Manta, com algumas das suas obras, e o historiador de arte David Santos recorda duas grandes exposições recentes dedicadas ao artista: “João Abel Manta livre”, no Palácio Anjos de Algés, em 2024, e “Bonecos para o Povo – João Abel Manta, artista revolucionário”, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, no ano passado.

Continue a ler após a publicidade

A Secção de Xadrez da Associação Académica de Coimbra (SX/AAC) recorda o “legado vivo” de João Abel Manta deixado na cidade. “A passagem do tempo não apagou a modernidade do seu design, nem a relevância do seu contributo para a vivência académica de Coimbra. Cada xeque-mate dado na nossa sala carrega consigo um pouco da assinatura de João Abel Manta”.


A Associação Salgueiro Maia também recorda “o arquiteto, pintor e cartoonista que imortalizou o 25 de Abril e a aliança do POVO-MFA”. E conclui: “Descanse em paz capitão Abel Manta”.



MAG //

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.