O preço do cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste continua a pressionar o orçamento das famílias portuguesas. Desde o início de 2026, o custo do conjunto de 63 bens essenciais já aumentou mais de 18 euros, com destaque para as fortes subidas registadas no peixe, carne e frutas e legumes.
Apesar de na última semana o cabaz ter registado uma ligeira descida de 1,48 euros, o valor total continua num dos níveis mais elevados dos últimos quatro anos, fixando-se atualmente nos 260,41 euros.
Cabaz alimentar sobe quase 8% desde janeiro
De acordo com os dados divulgados pela DECO PROteste, o preço do cabaz alimentar aumentou 18,58 euros desde a primeira semana de janeiro, o equivalente a uma subida de 7,68%.
Comparando com janeiro de 2022, quando começou a monitorização deste conjunto de produtos essenciais, os consumidores pagam agora mais 72,71 euros pelos mesmos artigos, o que representa um agravamento de 38,74%.
Peixe lidera aumentos de preços em 2026
Entre as categorias que mais encareceram desde o início do ano, o peixe destaca-se com uma subida de 13,21%.
Uma cesta composta por um quilo de oito variedades de peixe, incluindo robalo, dourada, carapau ou salmão, custa atualmente 95,59 euros, mais 11,16 euros do que em janeiro.
Também as frutas e legumes registaram um aumento expressivo de 7,52%. Para comprar um conjunto com 14 produtos, como banana, tomate, alface, batata-vermelha ou maçã gala, os consumidores precisam agora de gastar 30,65 euros, mais 2,14 euros do que no início do ano.
Já o preço da carne aumentou 6,78% desde janeiro. Uma cesta com sete variedades de carne, incluindo frango inteiro, bife de peru e carne de novilho para cozer, custa atualmente 48,04 euros, mais 3,05 euros.
Guerra no Médio Oriente pode agravar mais os preços
A DECO PROteste alerta que o conflito no Médio Oriente poderá continuar a pressionar os preços dos bens alimentares nos próximos meses.
O aumento dos custos dos combustíveis e da energia já está a afetar as cadeias de abastecimento, num cenário semelhante ao registado após o início da guerra na Ucrânia.
Além disso, os preços dos fertilizantes agrícolas também poderão subir, uma vez que vários produtores e fornecedores de matérias-primas estão localizados no Médio Oriente. Grande parte destes produtos é transportada através do estreito de Ormuz, uma das regiões mais sensíveis do comércio marítimo mundial.
Tempestades e custos agrícolas também pressionam mercado
A DECO PROteste refere ainda que os efeitos das tempestades registadas em Portugal durante janeiro e fevereiro poderão ainda não estar totalmente refletidos nos preços ao consumidor.
Ao mesmo tempo, o aumento dos custos de produção agrícola continua a afetar o setor alimentar, sobretudo devido à subida dos fertilizantes e da energia.
Tomate, couve-coração e dourada entre os produtos que mais subiram
Comparando os preços atuais com os registados na primeira semana de janeiro de 2026, os produtos que mais encareceram foram o tomate, com uma subida de 42%, seguido da couve-coração, que aumentou 33%, e da dourada, cujo preço disparou 30%.
Só na última semana, os maiores aumentos verificaram-se na massa em espirais, que subiu 9%, na perca, com um aumento de 7%, e no atum posta em azeite, que encareceu 6%.
Carne de novilho já custa mais do dobro do que em 2022
Desde que a DECO PROteste iniciou a monitorização do cabaz alimentar, em janeiro de 2022, alguns produtos sofreram aumentos históricos.
A carne de novilho para cozer lidera as subidas, com um agravamento de 126%. Seguem-se a couve-coração, que subiu 97%, e os ovos, cujo preço aumentou 84%.




