Há supercarros feitos para bater recordes, outros para mostrar tecnologia e outros que parecem nascer de uma obsessão muito específica. O Capricorn 01 Zagato “Tutto Rosso” pertence a esta última categoria: um exemplar único, criado a pedido de um cliente, com motor V8 sobrealimentado, caixa manual e uma presença visual quase impossível de ignorar, revelou a ‘Motor1’.
O nome ajuda a perceber a ideia. “Tutto Rosso” significa, em italiano, algo próximo de “todo vermelho”. E, neste caso, não é apenas uma forma de expressão. A cor domina a carroçaria, as jantes, os espelhos, detalhes em fibra de carbono e até o limpa para-brisas central.
O interior segue a mesma lógica. Há couro vermelho nos bancos, apontamentos vermelhos no tablier, fibra de carbono vermelha na consola central, manete da caixa em vermelho e volante na mesma tonalidade. Até o compartimento do motor recebeu fibra de carbono vermelha, reforçando a ideia de que este não é um exercício discreto de personalização.
Nem tudo, porém, foi pintado. Os logótipos da Capricorn na frente e na traseira mantêm-se fora da solução monocromática, tal como a estrutura em alumínio da grelha da caixa manual e as fivelas dos cintos. O contraste é mínimo, mas suficiente para lembrar que há uma máquina por baixo da encenação visual.
E essa máquina está longe de ser apenas estética. O Capricorn 01 é um supercarro de filosofia quase analógica, com V8 sobrealimentado, tração traseira e caixa manual de seis velocidades. Num tempo dominado por hipercarros híbridos, transmissões de dupla embraiagem e sistemas de tração integral, esta configuração parece quase uma provocação.
A versão “Tutto Rosso” foi apresentada no Concorso d’Eleganza Villa d’Este, em Itália, um dos palcos mais seletos para automóveis raros, clássicos e projetos especiais. A ‘Motor1’ sublinha que se trata de uma criação one-off, feita para um cliente específico, sem preço divulgado para este exemplar.
O valor de referência, ainda assim, dá uma ideia do território em que se move. A versão standard do Capricorn 01 custa pelo menos 2,95 milhões de euros. A marca aponta para 888 cv e uma caixa manual, combinação que o coloca numa categoria cada vez mais rara: a dos supercarros extremos que ainda exigem intervenção direta do condutor.
Robertino Wild, CEO da Capricorn, explicou que projetos como este não são apenas exercícios de estilo. A marca vê estas encomendas como forma de testar a relação entre materiais, engenharia e estética, levando ao limite a capacidade de industrializar e validar configurações altamente específicas.
O resultado é um automóvel que não tenta agradar a todos. Para alguns, será excesso puro. Para outros, será precisamente essa falta de contenção que o torna memorável. Num mercado onde muitos supercarros parecem competir pelas mesmas soluções técnicas, o Capricorn 01 Zagato “Tutto Rosso” escolhe outro caminho: menos silêncio elétrico, mais teatro mecânico, uma caixa manual e uma cor levada até ao limite.











