Líderes do PSI ganham 53 vezes mais do que os trabalhadores: patrões têm carros, casas e salários milionários pagos pelas empresas

Os presidentes-executivos das maiores empresas cotadas na Bolsa de Lisboa continuam a acumular remunerações e benefícios de topo, num contraste marcado com os salários médios praticados em muitas das mesmas companhias

Revista de Imprensa

Os presidentes-executivos das maiores empresas cotadas na Bolsa de Lisboa continuam a acumular remunerações e benefícios de topo, num contraste marcado com os salários médios praticados em muitas das mesmas companhias. De acordo com o ‘Jornal de Notícias‘, os relatórios de remunerações enviados à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários mostram carros com motorista, seguros de saúde e de vida pagos pelas empresas, cartões de crédito, planos de reforma, descontos em energia e até apoio à habitação.

O nome que mais se destaca é Pedro Soares dos Santos. O líder da Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce, voltou a ser, em 2025, o gestor mais bem pago das cotadas nacionais, com uma remuneração bruta anual de cinco milhões de euros. O valor equivale a cerca de 416 mil euros por mês.

Apesar de o rendimento ter recuado 4,8% face ao ano anterior, Pedro Soares dos Santos mantém uma distância significativa para os restantes gestores do PSI. O pacote inclui salário fixo, prémios variáveis e planos de pensões. A Jerónimo Martins desconta ainda mensalmente 25% da remuneração do gestor para a reforma, além de assegurar seguros de saúde e de vida.

A discrepância é particularmente expressiva quando comparada com os trabalhadores da própria empresa. Para igualar o que Pedro Soares dos Santos recebeu num ano, seriam necessários os salários médios anuais de 226 trabalhadores da Jerónimo Martins. A empresa surge entre as cotadas do PSI com menor custo médio anual por trabalhador, cerca de 22 mil euros, valor influenciado pela presença do grupo em mercados com salários mais baixos, como a Polónia e a Colômbia.

No conjunto das 15 empresas analisadas, os CEO ganharam, em média, 53 vezes mais do que os seus trabalhadores. As remunerações conjuntas dos líderes executivos atingiram 23,4 milhões de euros em 2025.

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Atrás da Jerónimo Martins surge a Altri, liderada por José Soares de Pina, que recebeu 714 mil euros anuais. O valor representa uma queda de 51,5% face ao ano anterior, mas continua a corresponder a 145 vezes a média dos trabalhadores da empresa. Em terceiro lugar aparece Cláudia Azevedo, líder da Sonae, com uma remuneração de dois milhões de euros, 76 vezes acima do salário médio dos colaboradores.

No setor energético, os benefícios mantêm peso relevante. Na EDP, Miguel Stilwell de Andrade recebeu 2,1 milhões de euros e tem direito a seguros de saúde e acidentes pessoais extensíveis à família direta, carro com motorista, despesas de utilização suportadas pela empresa e acesso a luz e gás a preços reduzidos, benefício também atribuído aos trabalhadores do grupo.

Na Galp, os co-CEO Maria João Carioca e João Marques da Silva receberam 1,4 milhões de euros brutos anuais cada um. A empresa prevê ainda subsídio de habitação para administradores cuja residência permanente fique fora da área da sede, além de planos poupança-reforma, seguros e utilização de viatura.

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Na banca, Miguel Maya, presidente do Millennium BCP, recebeu 1,7 milhões de euros, incluindo complemento de reforma por velhice ou invalidez. O gestor dispõe também de seguro de saúde, telemóvel e cartão de crédito. No total, a comissão executiva do banco custou 8,1 milhões de euros em remunerações no ano passado.

Nem todos os gestores apresentam o mesmo nível de benefícios. O ‘Jornal de Notícias’ destaca António Rios Amorim como um dos líderes mais contidos entre as cotadas, com 855 mil euros anuais, sem benefícios adicionais ou carro da empresa. Situação semelhante ocorre na Semapa e na The Navigator.

O caso mais baixo entre os exemplos referidos é o de Manuel Maria Teixeira Duarte, que recebeu 380 mil euros anuais. Ainda assim, o gestor registou o maior aumento percentual entre os CEO do PSI, com uma subida de 48,3% face a 2024.

Em termos gerais, os presidentes-executivos do PSI tiveram um aumento médio de 3,7% nas remunerações, acima da inflação de 2,3%. Os dados revelam, porém, uma realidade desigual: alguns gestores viram os rendimentos subir de forma significativa, enquanto outros sofreram cortes, mesmo em empresas com lucros elevados.

Como são definidos estes salários?

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As remunerações dos presidentes-executivos não são, em regra, decididas diretamente pelos próprios. Normalmente, existe uma comissão de vencimentos que fixa os valores pagos ao Conselho de Administração, incluindo a comissão executiva.

Essa comissão avalia fatores como o perfil do gestor, o currículo, a natureza das funções, as competências exigidas e a situação financeira da empresa. A remuneração costuma incluir uma componente fixa, paga habitualmente em 14 meses, e uma componente variável, associada ao desempenho individual e aos resultados da empresa.

Além do salário e dos prémios, podem existir componentes de longo prazo, como ações da própria empresa, planos poupança-reforma ou contribuições para fundos de pensões. O objetivo declarado é alinhar os interesses dos gestores com os dos acionistas, embora os números voltem a colocar em evidência a dimensão do fosso salarial no topo das maiores cotadas portuguesas.

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