Um cartão bancário caducado pode parecer inútil, mas não deve ser tratado como um simples pedaço de plástico. Mesmo depois de perder validade para pagamentos, continua a ter impressos o número de 16 dígitos, o nome do titular, a data de validade e, muitas vezes, o código de segurança no verso. O ‘HuffPost’ alerta que esses elementos ainda podem ser usados como informação de identificação, sobretudo em contextos onde não exista autenticação reforçada.
O risco não está apenas nos números visíveis. A banda magnética no verso armazena informação cifrada e o chip EMV integrado no cartão contém dados de identificação. Mesmo que o cartão já não funcione para transações, continua a ser considerado um suporte com informação pessoal, razão pela qual especialistas em cibersegurança recomendam destruí-lo fisicamente antes de o colocar no lixo ou de lhe dar uma segunda vida.
Atirar o cartão inteiro para o caixote é, por isso, uma má ideia. E reutilizá-lo sem tocar no chip, na banda magnética ou nos dados impressos também. Antes de qualquer uso doméstico, o cartão deve passar por uma pequena operação de segurança: cortar a banda magnética em pedaços, destruir o chip, eliminar o CVV e o painel de assinatura, e cortar também a zona onde aparecem o nome e o número do titular.
Só depois desse processo é que sobra o que realmente pode ser reaproveitado: pedaços de plástico sem informação legível, resistentes, finos e fáceis de adaptar a pequenas tarefas em casa. Se o cartão tiver tecnologia contactless, identificada pelo símbolo de ondas, também convém cortar a zona da antena integrada.
Uma das utilizações mais simples é transformar o plástico em etiquetas rígidas para organizar a casa. Depois de lixado ligeiramente, pode ser pintado, revestido com vinil adesivo e identificado com marcador permanente. Serve para nomear frascos de especiarias, caixas de cabos, gavetas, chaves, sementes ou materiais de costura. Um pequeno furo num canto permite prender a etiqueta com fio a caixas, recipientes ou vasos.
Há outros usos práticos. A rigidez do cartão permite utilizá-lo como raspador improvisado para remover resíduos colados em bancadas, vidros, placas de cozinha ou superfícies delicadas, com menos risco de riscar do que uma espátula metálica. Cortado em bisel, pode ainda servir para aplicar massa, alisar silicone em juntas pequenas ou espalhar cola em trabalhos de bricolage.
Na jardinagem, os fragmentos podem transformar-se em etiquetas para identificar plantas em vasos, resistindo melhor à humidade do que papel ou cartão. Para quem trabalha em casa, um cartão antigo, já sem dados e forrado com vinil branco, pode servir como separador resistente em dossiers ou arquivos. Também pode ser usado como abre-cartas improvisado ou até como pequena cunha para estabilizar móveis que abanam.
Mas há uma regra essencial: a reutilização só deve acontecer depois de os dados pessoais terem sido destruídos. O ‘HuffPost’ sublinha que muitos tutoriais virais saltam precisamente esta parte, concentrando-se na criatividade e esquecendo a segurança. O cartão pode estar caducado, mas a informação nele impressa não desaparece com a data de validade.
Quando não há interesse em reaproveitar o plástico, o cartão também não deve ser colocado no ecoponto amarelo nem no lixo indiferenciado. Por conter chip e banda magnética, deve ser encaminhado como resíduo eletrónico. Em Espanha, muitos bancos disponibilizam pontos próprios para recolha de cartões caducados, e os pontos limpos também podem aceitar este tipo de material.
A rotina é simples, mas muitas vezes esquecida: destruir primeiro, reutilizar ou reciclar depois. Um cartão fora de prazo já não paga compras, mas ainda pode revelar dados suficientes para criar problemas. Antes de o transformar em etiqueta, raspador ou lixo, convém garantir que deixou mesmo de identificar quem o usou.




