A Polícia Judiciária desencadeou esta quinta-feira uma nova operação de buscas no âmbito da investigação a suspeitas de corrupção em concursos públicos para o aluguer de helicópteros de combate a incêndios rurais. O caso, conhecido como “Operação Torre de Controlo”, teve uma primeira fase em 2025 e envolve contratos ligados ao Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais. Segundo a ‘SIC Notícias’, um dos alvos é Ricardo Leitão Machado, cunhado do ministro da Presidência, António Leitão Amaro.
As buscas estarão a decorrer na casa do empresário, no Restelo, em Lisboa, bem como em empresas e junto de pessoas a si ligadas. A ‘RTP’ avançou que estão em curso 11 buscas: seis domiciliárias, uma a uma empresa e quatro em escritórios de advogados. A operação servirá para recolha de documentação e alguns suspeitos poderão vir a ser constituídos arguidos.
Em causa está a Gesticopter, empresa com sede em Monfortinho, no distrito de Castelo Branco, que venceu concursos para o aluguer de helicópteros destinados ao combate aos incêndios. Ricardo Leitão Machado é proprietário da empresa, embora os contratos tenham sido celebrados antes da sua entrada formal no capital da sociedade. A Polícia Judiciária suspeita, no entanto, que o empresário já controlava a empresa anteriormente. O irmão de António Leitão Amaro foi diretor de operações da Gesticopter.
A investigação incide sobre suspeitas de corrupção ativa e passiva, burla qualificada, abuso de poder, tráfico de influência, associação criminosa e fraude fiscal qualificada. Em comunicado, a PJ referiu que está em causa uma alegada relação complexa, estabelecida pelo menos desde 2022, entre várias sociedades sediadas em Portugal, que terão procurado controlar a participação em concursos públicos de combate aos incêndios rurais, num valor de cerca de 100 milhões de euros.
A primeira fase da “Operação Torre de Controlo” decorreu em 2025 e levou a buscas em vários pontos do país, incluindo Lisboa, Castelo Branco, Porto, Algarve e Alentejo. Na altura, foram constituídas arguidas sete pessoas singulares e cinco pessoas coletivas. O DCIAP indicou então que estavam sob investigação suspeitas relacionadas com acesso a informação privilegiada junto de decisores públicos e apresentação de propostas concertadas para obter ganhos patrimoniais ilegítimos.
Quando tomou posse como ministro da Presidência, em junho de 2025, António Leitão Amaro afirmou que manteria “distanciamento total” de decisões governamentais relacionadas com contratação pública na área da Proteção Civil, depois de serem conhecidas ligações familiares a uma empresa que tinha celebrado uma adjudicação superior a 11,9 milhões de euros para fornecimento de helicópteros. Em 2025, Ricardo Leitão Machado tinha garantido que não fora alvo de buscas domiciliárias nem constituído arguido, tal como as empresas que geria, Gestifly e Gesticopter.



