ENTREVISTA: Incêndios: Dispositivo de combate dimensionado para a realidade do país – Proteção Civil

*** Célia Paulo (texto), Rui Pereira (vídeo) e António Cotrim (foto), da agência Lusa ***

Executive Digest com Lusa

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*** Célia Paulo (texto), Rui Pereira (vídeo) e António Cotrim (foto), da agência Lusa ***



Lisboa, 14 mai 2026 (Lusa) — O comandante nacional da Proteção Civil disse hoje que o dispositivo de combate a incêndios rurais está dimensionado para a realidade do país e para aquilo que é expectável acontecer, mas realçou que está dependente da dimensão dos fogos.


“O dispositivo de combate a incêndios no fundo tenta mitigar os impactos que temos no país, mas eu diria que o dispositivo está dimensionado àquilo que é a realidade e que é expectável que aconteça”, disse Mário Silvestre em entrevista à Lusa na véspera do Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Rurais (DECIR) reforçar os meios de combate.


O DECIR vai ter este ano um ligeiro aumento de meios, nomeadamente operacionais e aeronaves, em relação a 2025, numa altura em que o Governo já alertou que 2026 pode ser muito difícil em termos de incêndios rurais, especialmente depois da tempestade Kristin que afetou especialmente a região centro no final do mês de janeiro.

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Questionado se perante este cenário os meios previstos no DECIR são os necessários, o comandante nacional de emergência e proteção civil afirmou que o dispositivo “depende do número de ocorrências, da dimensão dos incêndios e do comportamento humano”.


“Dimensionamos o dispositivo para aquilo que será, não para o pior cenário, nós não podemos dimensionar o dispositivo para o pior cenário, mas dimensionamos o dispositivo para aquilo que é expectável de acontecer”, disse.


Mário Silvestre referiu que, se ocorrer um incêndio numa zona onde o risco é potencialmente baixo, não existe problema em deflagrarem grandes incêndios.

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“O nosso problema está nas ocorrências que vão e que têm lugar em zonas onde o potencial de incêndio é muito grande. Existem zonas do país onde rapidamente chegamos a valores na casa de 100 mil hectares de potencial a arder”, afirmou.


O comandante disse também que o DECIR não é um documento fechado, podendo sofrer alterações de acordo com as avaliações feitas a cada momento.


Os meios de combate a incêndios rurais vão ser reforçados a partir de sexta-feira, passando a estar em permanência no terreno 11.955 operacionais de 2.031 equipas, 2.599 veículos e 37 meios aéreos, além dos três helicópteros da AFOCELCA (empresa privada de proteção florestal vocacionada para o combate a incêndios rurais).


O primeiro reforço de meios acontece a 15 de maio, no que é denominado ‘nível Bravo’, numa fase que se prolonga até ao dia 31 de maio, altura em que os meios voltam a aumentar.


A fase mais crítica, entre julho e setembro, é aquela que mobiliza o maior dispositivo e vai contar este ano com 15.149 operacionais de 2.596 equipas, 3.463 viaturas e 81 meios aéreos, incluindo os três da AFOCELCA, um ligeiro aumento relação ao ano passado.

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Dois helicópteros Black Hawk da Força Aérea vão estar este ano pela primeira vez ao serviço do combate aos fogos rurais.


No ano passado, o DECIR não teve disponíveis os meios aéreos previstos, tendo existido algumas alturas em que não chegaram aos 70 devido a avarias.


“Queremos acreditar que devemos ter sempre o dispositivo todo na sua força máxima. Mas trata-se de máquinas, e as máquinas avariam, e depois têm problemas na substituição de alguns componentes, que às vezes levam mais tempo do que aquilo que está a ser esperado. Portanto é algo que é expectável que aconteça”, disse o comandante nacional sobre a disponibilidade total dos meios aéreos.


Mário Silvestre disse ainda que a Proteção Civil tem a informação que até ao momento “não há qualquer constrangimento no dispositivo” e que “está pronto para arrancar” até atingir a sua capacidade máxima.


“Neste momento não temos nada que nos diga que temos algum constrangimento e, portanto, contamos com as 81 aeronaves”, concluiu.


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