Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos BRICS reúnem-se esta quinta e sexta-feira, em Nova Deli, numa reunião presidida por S. Jaishankar, chefe da diplomacia indiana. A Índia assumiu em 2026 a presidência rotativa do bloco e escolheu como lema “Building for Resilience, Innovation, Cooperation and Sustainability”, centrando a agenda em resiliência económica, inovação, cooperação multilateral e sustentabilidade.
O encontro surge num momento particularmente sensível. A guerra no Irão deverá dominar parte das discussões e testar a capacidade dos BRICS para falarem a uma só voz. A ‘Reuters’ avançou que Teerão quer que a Índia use a presidência do bloco para promover uma posição comum contra as ações dos Estados Unidos e de Israel, mas as divisões internas são evidentes, sobretudo porque alguns membros mantêm interesses e alianças muito diferentes no Médio Oriente.
Criado como fórum de cooperação diplomática e económica, o grupo nasceu em 2009 com Brasil, Rússia, Índia e China, antes da entrada da África do Sul. Nos últimos anos, transformou-se num bloco alargado, com 11 membros: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irão. O grupo tem ainda países parceiros, incluindo Bielorrússia, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Usbequistão e Vietname.
O objetivo político dos BRICS é claro: aumentar o peso dos países do chamado Sul Global na governação internacional e defender reformas em instituições como a ONU, o FMI, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio. Na prática, o bloco procura apresentar-se como alternativa ao domínio ocidental nas grandes decisões económicas e diplomáticas, embora continue a ser um fórum informal e dependente de consensos entre países com interesses muitas vezes divergentes.
A reunião de Nova Deli deverá abordar temas como energia, comércio, segurança, financiamento do desenvolvimento, reforma das instituições internacionais e cooperação entre economias emergentes. A subida dos preços da energia e os riscos para as cadeias de abastecimento, agravados pela instabilidade no Médio Oriente, estarão entre os pontos mais sensíveis para países como Índia e China, grandes importadores de petróleo e gás.
O grande teste será perceber se os BRICS conseguem produzir uma declaração conjunta relevante. Se houver consenso, a presidência indiana poderá apresentar o encontro como sinal de força diplomática de um bloco em expansão. Se as divisões prevalecerem, a reunião mostrará o outro lado dos BRICS: um grupo com peso económico crescente, mas ainda com dificuldade em transformar esse peso numa posição política comum.



