Um casal que manteve os três filhos menores fechados durante quase quatro anos numa casa em condições degradantes, em Oviedo, no norte de Espanha, foi condenado a dois anos e dez meses de prisão, num caso que ficou conhecido como a ‘casa dos horrores’ e que abalou o país vizinho, relata o ‘The Independent’.
As crianças — dois gémeos, então com oito anos, e o irmão mais velho, de dez — foram resgatadas pelas autoridades em abril de 2025. De acordo com a investigação, estavam praticamente isoladas desde a pandemia de Covid-19 e não saíam sequer para o jardim da habitação.
Quando entraram na casa, os agentes encontraram sacos de lixo acumulados, medicamentos armazenados e um ambiente descrito como insalubre. As crianças usavam fraldas, dormiam em berços e apresentavam dificuldades motoras visíveis.
De acordo com fontes próximas da investigação citadas pelo ‘El País’, os menores não tinham televisão, dispositivos eletrónicos, quase não tinham brinquedos e nem sequer tinham sapatos do tamanho adequado. Os sapatos que existiam correspondiam ao número que usavam quatro anos antes.
O momento em que saíram para o exterior impressionou os agentes. As crianças tocaram na relva, respiraram como se estivessem a descobrir o mundo pela primeira vez e ficaram fascinadas ao ver um caracol.
A acusação sustentou que os menores não tinham saído de casa durante anos, não conheciam familiares e apresentavam atrasos associados ao isolamento prolongado. O uso continuado de fraldas terá provocado dificuldades no controlo intestinal e urinário, enquanto a falta de movimento afetou a postura e a capacidade de subir e descer escadas.
O pai, de 53 anos, é cidadão alemão. A mãe, de 48, tem dupla nacionalidade alemã e americana. O casal vivia num chalé numa zona rural de Oviedo desde outubro de 2021.
Os dois foram considerados culpados de abandono familiar e de causar danos psicológicos aos filhos, mas foram absolvidos da acusação mais grave de detenção ilegal. O Ministério Público tinha pedido penas de 25 anos de prisão.
A defesa alegou em tribunal que os pais tomaram “uma série de decisões, certamente erradas, incorretas, mas não criminosas”. O advogado da mãe afirmou ainda que as crianças tinham ensino doméstico, uma vida familiar estável e eram bem alimentadas.
A tese não convenceu o tribunal, que condenou cada progenitor a dois anos e dez meses de prisão. Além da pena de cadeia, os pais foram obrigados a pagar 30 mil euros de indemnização a cada criança e ficaram privados da guarda dos filhos por pelo menos três anos e quatro meses.
As crianças estão agora ao cuidado dos serviços sociais. O ‘The Independent’ refere que a decisão judicial não foi tornada pública na íntegra, por conter informação sensível sobre a privacidade das vítimas.
O casal, que se encontra em prisão preventiva desde a detenção, em abril de 2025, estará ainda a ponderar recorrer da sentença.




