O líder do partido populista britânico Nigel Farage, à frente do Reform UK, será investigado pela autoridade de controlo eleitoral do Reino Unido por não ter declarado um donativo de 5 milhões de libras (mais de 5,7 milhões de euros) recebido antes das últimas eleições legislativas.
O montante foi oferecido pelo multimilionário do setor tecnológico Christopher Harborne. Segundo Farage, a intenção do empresário era que o dinheiro fosse utilizado para garantir a sua segurança pessoal.
De acordo com a posição oficial do Reform UK, o valor em causa constituiu um “presente” e, no momento em que foi recebido, Farage ainda não tinha decidido se avançaria como candidato a deputado nas eleições gerais.
Um porta-voz do partido sublinhou que o líder não era membro do Parlamento à data da receção do donativo e que o montante não foi utilizado para financiar atividades de campanha eleitoral.
Nos termos da legislação britânica, todos os membros do Parlamento são obrigados a declarar ofertas superiores a 300 libras recebidas nos 12 meses anteriores à sua eleição. A investigação agora anunciada procurará determinar se houve incumprimento das regras aplicáveis.
Farage comprometeu-se a candidatar-se às eleições de 2024 no início de junho desse ano, já depois de ter recebido o apoio financeiro em causa.
Reform UK cresce nas eleições locais
A investigação surge num momento politicamente sensível, numa altura em que o Reform UK consolidou a sua posição no panorama político britânico.
Nas eleições municipais e regionais realizadas na semana passada, o partido foi um dos grandes vencedores. O Reform UK conquistou 1.451 mandatos de vereadores em municípios ingleses, aproximando-se dos resultados do Partido Trabalhista, que perdeu 1.496 lugares.
O impacto fez-se sentir também noutras regiões. No País de Gales, o partido do primeiro-ministro Keir Starmer perdeu 35 assentos nas eleições regionais, enquanto o Reform UK obteve 34. Na Escócia, ambas as formações terminaram empatadas em número de mandatos.
O crescimento eleitoral do partido populista tem sido acompanhado por uma subida nas sondagens de opinião. A analista Sara Hobolt, da London School of Economics, destacou que o Reform UK “não só lidera as sondagens de opinião, como demonstrou ser capaz de transformar esse apoio em votos reais no dia das eleições”.
Contexto político mais amplo
A investigação à situação financeira de Farage ocorre num momento de elevada fragmentação política no Reino Unido, onde se multiplicam debates sobre o futuro da relação com a União Europeia e o posicionamento estratégico dos principais partidos.
Apesar do escrutínio em torno do donativo de 5 milhões de libras, o Reform UK continua a afirmar que não houve qualquer irregularidade e que o financiamento não teve ligação a atividades parlamentares ou eleitorais.
Caberá agora ao organismo de controlo eleitoral britânico apurar se o líder do partido cumpriu integralmente as obrigações legais relativas à declaração de donativos, num processo que poderá ter implicações políticas significativas num cenário já marcado por forte competição eleitoral.





