A bolsa nova-iorquina encerrou hoje orientada no sentido da baixa, arrastada pelos conglomerados tecnológicos e pela ausência de boas notícias sobre inflação e geopolítica.
Os resultados da sessão indicam que o índice tecnológico Nasdaq recuou 0,71% e o alargado S&P500 perdeu 0,16%; apenas o seletivo Dow Jones Industrial Average avançou, com um ganho de 0,11%.
Os especialistas em semicondutores, produto ligado à inteligência artificial que tem dinamizado o mercado nas semanas recentes, conheceu um dia mau.
A Micron recuou 3,61%, a Intel 6,82%, a Broadcom 2,13% e a Qualcomm 11,46%.
David Morrison, da Trade Nation, explicou este recuo, “com um movimento de realização de ganhos depois da sua extraordinária progressão desde o fim de março”.
Com feito, no espaço de mês e meio, a cotação da Intel, tal como a da Micron, mais do que duplicou.
Mas Mabrouk Chetouane, responsável pela estratégia de mercado na Natixis IM, considerou, em declarações à AFP, que “os investidores estão serenos” e a não ceder a uma nova subida da cotação do petróleo, resultante do impasse diplomático entre EUA e Irão.
Os investidores “foram condicionados pela história a considerarem o risco geopolítico como um acontecimento de curto prazo, que não tem verdadeiro impacto sobre o valor dos ativos”, disse à AFP, por sua vez, Dave Grecsek, da Aspiriant.
Ao mesmo tempo, “não é surpreendente observar ligeiros reajustamentos face ao contágio deste risco geopolítico”, acrescentou.
O poder iraniano afastou hoje a ideia de alterar as suas propostas para acabar com a guerra, depois de Donald Trump as ter considerado “boas para o lixo”.
Os investidores têm também de interpretar a forte subida do índice de preços no consumidor, que atingiu 3,8% homólogos em abril, um valor que é o mais alto dos últimos três anos, como foi hoje divulgado.
Para Dave Grecsek, os investidores “estavam bem preparados para uma inflação mais elevada”, por a subida dos preços da energia não deixarem campo para dúvidas sobre tal aceleração.



