Crioestaminal avança sobre dona da BebéVida em operação que pode concentrar mercado das células estaminais

Operação foi comunicada à AdC a 4 de maio de 2026 e será agora analisada pelo regulador, que terá de avaliar se a concentração pode criar ou reforçar uma posição dominante no mercado da criopreservação de células estaminais

Executive Digest

A Stemlab, empresa que opera sob a marca Crioestaminal, notificou a Autoridade da Concorrência da aquisição do controlo exclusivo da Cordvida Portugal e da sua participada Stamcriovitae, que por sua vez detém a BebéVida – Ciências para a Vida.

A operação foi comunicada à AdC a 4 de maio de 2026 e será agora analisada pelo regulador, que terá de avaliar se a concentração pode criar ou reforçar uma posição dominante no mercado da criopreservação de células estaminais.

Caso receba luz verde, o negócio poderá reforçar de forma significativa o peso da Crioestaminal num setor onde a empresa já surge como uma das principais referências em Portugal.

O que está em causa?

A operação consiste na compra, pela Stemlab, do controlo exclusivo sobre a Cordvida Portugal e a Stamcriovitae.

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A Stamcriovitae detém a BebéVida, outra empresa ligada ao setor da criopreservação de células estaminais.

Na prática, a dona da Crioestaminal pretende integrar operadores que atuam no mesmo mercado, com serviços de análise, processamento e criopreservação de células estaminais, incluindo sangue e tecido do cordão umbilical.

Estas empresas dispõem de instalações próprias para armazenamento de componentes biológicos, um dos pontos centrais deste tipo de atividade.

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Quem é a Crioestaminal?

A Crioestaminal foi criada em 2003 por um grupo de investigadores da Universidade de Coimbra, com o objetivo de prestar serviços de criopreservação de células estaminais do sangue do cordão umbilical.

Estas células podem ser armazenadas para eventual utilização futura no tratamento de determinadas doenças.

Em 2018, a Crioestaminal foi adquirida pelo grupo polaco Famicord, que mais tarde passou a integrar a alemã Vita 34 AG.

Esta integração criou o maior banco de células estaminais da Europa, com presença em 34 países e receitas de 88,2 milhões de euros em 2025.

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Um mercado que já vinha a consolidar-se

Esta não é a primeira operação de consolidação protagonizada pela Crioestaminal no mercado português.

Em 2019, a Stemlab comprou a Bébécord, também ativa na criopreservação de células estaminais, a Bébé4D, ligada a serviços de imagiologia através de ecografias 3D e 4D, e ativos da MedicalMedia II, empresa dedicada à realização de eventos, congressos e palestras para futuros pais, bem como a serviços de promoção e publicidade.

Na altura, segundo informação prestada à Autoridade da Concorrência, a consolidação com a Bébécord criava um operador com uma quota de mercado entre 60% e 70%, com base em dados de 2017.

A BebéVida surgia então com uma quota estimada entre 20% e 30%.

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