Caça às garrafas ‘Volta’. Porque é que ainda é raro ver estas embalagens nos supermercados e cafés?

Um mês após o arranque do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) para embalagens de bebidas, continuam a ser frequentes os relatos de consumidores que afirmam nunca ter visto uma garrafa com o símbolo Volta nas prateleiras dos supermercados ou na restauração.

Pedro Zagacho Gonçalves

Um mês após o arranque do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) para embalagens de bebidas, continuam a ser frequentes os relatos de consumidores que afirmam nunca ter visto uma garrafa com o símbolo Volta nas prateleiras dos supermercados ou na restauração. A explicação, segundo a entidade gestora, reside no período de transição em curso, durante o qual coexistem embalagens antigas e novas no mercado.

Leonardo Mathias, presidente da SDR Portugal, esclarece ao Público que o sistema entrou em vigor a 10 de Abril e atravessa até 9 de Agosto “um período de transição e de estabilização operacional”. Durante esta fase, os distribuidores e retalhistas estão ainda a escoar mercadorias adquiridas antes da implementação do mecanismo, o que justifica a presença significativa de embalagens sem o selo Volta nas lojas.

Segundo o responsável, as novas embalagens estão a surgir “a pouco e pouco”, prevendo-se uma aceleração ao longo de Maio e uma presença mais visível a partir de Junho. Leonardo Mathias assegura mesmo que “se ainda não viram uma embalagem Volta, verão com certeza a partir de Junho”. Até 10 de Agosto, quando termina oficialmente a transição, todas as garrafas abrangidas terão obrigatoriamente de exibir o símbolo do sistema.

O mecanismo aplica-se a embalagens de bebidas até três litros — em plástico, metal ou alumínio — que passam a incluir uma caução de dez cêntimos sempre que exibem o símbolo Volta, identificado por uma seta em forma de ferradura acompanhada da designação do sistema. Esse valor é devolvido ao consumidor quando a embalagem vazia, em bom estado, com tampa (quando aplicável) e código de barras legível, é depositada numa das máquinas instaladas para o efeito. Recipientes amassados ou danificados são rejeitados e não dão direito ao reembolso.

A reduzida visibilidade inicial explica-se também pela dimensão do mercado. Em Portugal circulam cerca de 2,1 mil milhões de embalagens por ano, o que corresponde a aproximadamente 175 milhões por mês. Em Abril, porém, não existiam ainda 175 milhões de unidades com selo Volta disponíveis, estimando Leonardo Mathias que “provavelmente 150, 160 milhões ou mais” correspondessem ainda a stocks antigos. Como a gestão de armazém segue o princípio de que o que entra primeiro sai primeiro, os produtos adquiridos antes da entrada em vigor do sistema continuam a chegar às prateleiras, dificultando a percepção imediata do novo modelo.

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Do ponto de vista operacional, a SDR Portugal considera o arranque positivo. No dia 10 de Abril foram activadas entre 2.300 e 2.400 máquinas, todas operacionais, num universo que actualmente ronda as 2.500, com a expectativa de atingir perto de três mil. “Estamos contentes”, afirma o presidente da entidade, sublinhando que o essencial foi garantir o funcionamento do hardware e a integração informática com as redes do retalho logo no primeiro dia. Ainda assim, não foram divulgados números de recolha do primeiro mês, existindo “um pedido formal” da Agência Portuguesa do Ambiente para um resumo do período inicial, cuja eventual divulgação caberá à entidade licenciadora.

Para 2026, primeiro ano completo de funcionamento do sistema, a meta de recolha foi revista de 70% para 40%, segundo um aditamento aprovado pela Agência Portuguesa do Ambiente, que justifica a alteração com a necessidade de um arranque e consolidação progressiva. As metas seguintes mantêm-se inalteradas. Até lá, a mensagem da entidade gestora é clara: a presença limitada de embalagens Volta nas prateleiras não significa que o sistema não esteja em funcionamento, mas sim que o mercado ainda está a ajustar-se a uma mudança logística e cultural que pretende reforçar a reciclagem, reduzir resíduos abandonados e promover uma economia circular mais efectiva.

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