Médio Oriente: Israel critica UE por falta de lista de sanções a colonos

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel criticou hoje a União Europeia (UE) por ainda não ter publicado oficialmente a lista de indivíduos e organizações de colonos israelitas sancionados por violência na Cisjordânia.

Executive Digest com Lusa

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel criticou hoje a União Europeia (UE) por ainda não ter publicado oficialmente a lista de indivíduos e organizações de colonos israelitas sancionados por violência na Cisjordânia.


“As informações que circulam através dos canais diplomáticos indicam que a lista de sanções, cujo conteúdo também não foi divulgado, inclui indivíduos e organizações que não têm absolutamente nenhuma ligação com violência ou atividade criminosa”, afirmou a diplomacia israelita em comunicado, após a decisão hoje anunciada por Bruxelas.


A ONG israelita Paz Agora divulgou uma lista que inclui quatro organizações associadas a colonos e três líderes de colonatos judaicos na Cisjordânia, “ligados à violência e à pilhagem” contra os habitantes palestinianos.


Além da política Daniella Weiss, fundadora da organização de extrema-direita Nachala, a UE tem como alvo os movimentos de defesa dos colonatos Amana e Regavim, bem como o grupo paramilitar Hashomer Yosh e ainda os dois responsáveis destes dois últimos, segundo a Paz Agora.


A Regavim, que se concentra em exercer pressão política e jurídica sobre o Estado israelita para demolir estruturas palestinianas, foi cofundada em 2006 pelo atual ministro das Finanças, o ultrarradical nacionalista Bezalel Smotrich.

Continue a ler após a publicidade

Em reação às sanções hoje anunciadas pela UE, o ministro israelita defendeu a anexação de “áreas estratégicas” na Cisjordânia, voltando a uma medida que já propusera no passado, durante a guerra na Faixa de Gaza e do reconhecimento, em setembro passado, de uma série de reconhecimentos ocidentais do Estado da Palestina.


Smotrich acrescentou que apresentou ao primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, um plano para transferir “áreas estratégicas” na Judeia e Samaria — as designações que Israel usa para se referir à Cisjordânia — das áreas A e B para a Área C, que permanece sob controlo israelita total, ao abrigo dos Acordos de Oslo.


O ministro das Finanças, que também supervisiona assuntos civis na Cisjordânia, criticou que “a hipocrisia europeia está a atingir níveis sem precedentes” e que “ninguém obrigará Israel a seguir uma política de suicídio nacional”.

Continue a ler após a publicidade

Anteriormente, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel já tinha condenado o acordo da UE para sancionar colonos extremistas.


“Israel apoiou, apoia e continuará a apoiar o direito dos judeus de se estabelecerem no coração da nossa pátria”, afirmou Gideon Saar, na rede social X, referindo-se ao território ocupado por Israel desde 1967.


Segundo o chefe da diplomacia israelita, “nenhum outro povo no mundo tem um direito tão documentado e antigo à sua terra como o povo judeu tem à terra de Israel”, insistindo que se trata de “um direito moral e histórico” e também reconhecido pelo direito internacional.


“Nenhum ator pode tirá-lo do povo judeu”, frisou o governante israelita, em reação à decisão anunciada pela chefe da diplomacia de Bruxelas.


Kaja Kallas observou que a proposta de sanções contra colonos violentos “já estava em discussão há algum tempo”, mas que o anterior Governo húngaro, chefiado por Viktor Orbán, a tinha vetado.

Continue a ler após a publicidade

“Novas sanções contra figuras proeminentes do Hamas também foram acordadas. Era tempo de passarmos do impasse à ação. O extremo e a violência têm consequências”, considerou a alta-representante para os Negócios Estrangeiros da UE, na rede X, a propósito do grupo islamita palestiniano que atacou Israel em outubro de 2023, desencadeando a guerra na Faixa de Gaza.


A Regavim. de Smotrich, interpõe processos contra projetos de construção palestinianos e beduínos em Israel e na Cisjordânia e apoiou e financiou a Tsav 9, que foi sancionada pela UE e pelos Estados Unidos por interromper deliberadamente a entrega de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, durante o conflito no enclave palestiniano.


A Amana por sua vez é a principal financiadora de postos avançados na Cisjordânia, que funcionam como o passo inicial dos colonatos, e atribui um orçamento equivalente a cerca de 175 milhões de euros à construção de assentamentos .


A HaShomer Yosh e a Nachala coordenam milhares de voluntários e fornecem-lhes meios para estabelecer novos postos avançados e expulsarem palestinianos nas áreas circundantes, ainda de acordo com a Paz Agora.


Para a ONG israelita, as sanções europeias são “um importante sinal de alerta” de que “a violência desenfreada dos colonos na Cisjordânia, incentivada e apoiada pelo Governo, está a levar Israel à beira do colapso moral e a deixar uma mancha indelével” no país.


Os colonos israelitas, que residem em assentamentos ilegais na Cisjordânia, em violação do direito internacional, assediam diariamente a população , roubando as suas culturas e animais e invadindo as suas casas em ataques violentos, que por vezes resultam em assassínios a coberto da impunidade.


Segundo dados das Nações Unidas, entre 07 de outubro de 2023, data dos ataques do Hamas e começo da guerra na Faixa de Gaza, e 23 de abril de 2026, 1.088 palestinianos, dos quais pelo menos 238 eram crianças, foram mortos na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental.


Deste total, 42 morreram nos primeiros quatro meses de 2026, 13 por colonos, 30 por forças israelitas e um por ambos.


As deslocações forçadas atingiram mais de 40 mil habitantes nos últimos três anos, de acordo com dados da agência da ONU para os Refugiados Palestinianos (UNRWA), organização proibida por Israel.


Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.