O académico sino-canadiano Jiang Xueqin, apelidado de ‘Nostradamus chinês’ depois de ter feito previsões consideradas certeiras sobre a tensão entre os Estados Unidos e o Irão, voltou a lançar novos alertas sobre o futuro, escreve o site ‘LADBible’.
Desta vez, as previsões vão da política americana à relação entre Washington e Pequim, passando pela vigilância baseada em inteligência artificial e por um possível conflito no Leste Asiático.
As declarações foram feitas no podcast ‘Diary of a CEO’, onde Jiang Xueqin foi questionado sobre os cenários que vê para os próximos anos. O tom não foi otimista.
A primeira previsão é também uma das mais explosivas: o académico acredita que poderá haver uma guerra civil nos Estados Unidos e que Donald Trump poderá tentar chegar a um terceiro mandato.
Questionado sobre a impossibilidade constitucional de um presidente americano cumprir mais de dois mandatos, Jiang Xueqin respondeu que há caminhos “não convencionais”, “imorais” e “perigosos”, mas que, na sua leitura, poderiam não ser necessariamente ilegais.
Entre os cenários apontados está a possibilidade de Trump apoiar uma candidatura de alguém próximo, como um filho ou JD Vance, que depois poderia abandonar o cargo em favor do vice-presidente.
Outra hipótese levantada pelo académico passa por um contexto de guerra em 2028, que permitiria invocar poderes de emergência e suspender regras constitucionais. “Nenhuma pessoa sã com um mínimo de moralidade faria isso, mas isso não impede Trump”, afirmou.
Um grande acordo entre EUA e China
A segunda previsão aponta para um “grande acordo” entre os Estados Unidos e a China.
Jiang Xueqin considera que muitos esperam uma guerra entre as duas potências, sobretudo por causa de Taiwan, mas defende que Pequim poderá preferir uma estratégia mais pragmática.
Na sua leitura, a China poderá tentar posicionar-se entre a Rússia e os Estados Unidos, apoiando Teerão ou financiando Moscovo, mas mantendo ao mesmo tempo canais de entendimento com Washington.
O cenário descrito pelo académico não aponta necessariamente para um confronto direto entre EUA e China, mas para uma tentativa chinesa de jogar em vários tabuleiros ao mesmo tempo.
Essa previsão surge num momento em que a rivalidade entre as duas maiores economias do mundo continua a marcar o comércio internacional, a tecnologia, a segurança no Indo-Pacífico e o debate sobre Taiwan.
Vigilância com inteligência artificial
A terceira previsão afasta-se da geopolítica tradicional e entra no campo da tecnologia.
Jiang Xueqin afirma que o mundo caminha para um estado de vigilância assente em inteligência artificial, identidade digital e moeda digital.
Para o académico, isso permitiria aos Governos monitorizar a atividade online dos cidadãos e controlar transações financeiras.
O ‘LADBible’ refere exemplos recentes de preocupações com sistemas de IA, desde erros de identificação policial a câmaras inteligentes usadas em espaços residenciais.
Jiang Xueqin vai mais longe e alerta para a possibilidade de os cidadãos serem classificados em bases de dados, permitindo às autoridades prever comportamentos através de sistemas automatizados.
“Isso já acontece na China”, afirmou.
Novo conflito no Leste Asiático
A quarta previsão aponta para a possibilidade de o Leste Asiático também entrar em conflito.
O académico não detalha no texto quais os países ou territórios que considera mais vulneráveis, mas a região é há muito marcada por tensões em torno de Taiwan, da Coreia do Norte, do Mar do Sul da China e da rivalidade entre Pequim, Washington e os seus aliados.
Num mundo já pressionado pela guerra na Ucrânia, pela tensão no Médio Oriente e por crises em África, Jiang Xueqin considera que o alastramento da instabilidade ao Leste Asiático não deve ser descartado.
O cenário é apresentado como mais um sinal de uma ordem internacional em deterioração, com várias frentes de risco abertas ao mesmo tempo.
Irão pode resistir mais do que Trump espera
Jiang Xueqin também voltou a comentar a guerra entre os Estados Unidos e o Irão.
Na sua leitura, Teerão tem mais vantagens do que Washington poderá admitir publicamente.
“Considerando a minha análise de como a guerra está a progredir, acho que o Irão tem muito mais vantagens sobre os Estados Unidos”, afirmou.
O académico considera que o conflito se transformou numa guerra de desgaste e que os iranianos se prepararam para esse cenário durante duas décadas.
A conclusão é particularmente sombria: Jiang Xueqin diz não conseguir ver, neste momento, um fim claro para a guerra entre os Estados Unidos e o Irão.
As previsões devem ser lidas como cenários e não como certezas. Ainda assim, o interesse em torno do académico aumentou precisamente porque algumas das suas leituras anteriores foram vistas como antecipações invulgarmente precisas de acontecimentos que hoje dominam a agenda internacional.






