CIA põe em causa otimismo de Trump: Irão ainda tem petróleo, mísseis e meses de resistência pela frente

Avaliação contraria a tese de Donald Trump de que Teerão precisa de pôr fim à guerra de forma iminente

Francisco Laranjeira

O Irão poderá resistir aos efeitos do bloqueio americano durante mais três a quatro meses e mantém reservas significativas de mísseis, segundo informações dos serviços secretos dos Estados Unidos citadas pelo ‘The Independent’.

A avaliação contraria a tese de Donald Trump de que Teerão precisa de pôr fim à guerra de forma iminente.

Uma nova análise da CIA sugere que a República Islâmica está mais resistente do que Washington admitia publicamente e poderá suportar a pressão económica do bloqueio até mais tarde este ano.

O relatório confidencial foi entregue esta semana a responsáveis da Administração Trump, de acordo com quatro pessoas familiarizadas com o documento ouvidas pelo ‘The Washington Post’.

Segundo essa avaliação, o Irão conseguiu ganhar margem ao armazenar parte do petróleo em navios-tanque e ao reduzir os fluxos nos campos petrolíferos, mantendo os poços operacionais.

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“Não está nem perto de ser tão grave como alguns têm dito”, afirmou uma fonte sobre a situação económica iraniana.

Petróleo em navios e rotas terrestres

A CIA considera que Teerão poderá resistir entre 90 e 120 dias antes de enfrentar dificuldades económicas mais severas, podendo até aguentar mais tempo.

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O relatório aponta também para a possibilidade de o regime conseguir contornar parte do bloqueio através do contrabando de petróleo por rotas terrestres, recorrendo a camiões e caminhos de ferro.

Um responsável citado no texto admite que o Irão poderá começar a transportar algum petróleo por via ferroviária através da Ásia Central.

A avaliação agora revelada confirma indicações anteriores do ‘The Independent’, segundo as quais o Irão teria cerca de 120 dias de crude disponível para abastecer a China.

Em abril, uma análise da Kpler já apontava para um impacto menos imediato do bloqueio, devido aos “volumes substanciais” de petróleo iraniano que já se encontravam no mar.

Mísseis e lançadores continuam disponíveis

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A resistência iraniana não é apenas económica.

Segundo um responsável americano, Teerão mantém cerca de 75% dos inventários de lançadores móveis que tinha antes da guerra e aproximadamente 70% das reservas de mísseis.

Estes dados entram em contradição com declarações públicas de Trump sobre a rápida degradação do arsenal iraniano.

Para alguns responsáveis americanos, a liderança iraniana tornou-se mais radical, determinada e confiante de que conseguirá resistir durante mais tempo do que a vontade política dos Estados Unidos.

Um dos oficiais citados comparou a situação a outros regimes que resistiram durante anos a embargos prolongados e a guerras conduzidas apenas por poder aéreo.

Casa Branca insiste que bloqueio está a esmagar Teerão

Apesar da avaliação da CIA, responsáveis americanos sublinham que o bloqueio está a causar danos reais à economia iraniana.

Um alto responsável dos serviços de informação afirmou que o comércio foi severamente cortado, as receitas foram esmagadas e o colapso económico sistémico está a acelerar.

“Irão viu as suas capacidades militares seriamente degradadas, a sua marinha destruída e os seus líderes escondidos”, afirmou o mesmo responsável.

A Casa Branca mantém também a linha de que Teerão está sob forte pressão.

Anna Kelly, porta-voz da Administração Trump, disse ao ‘Washington Post’ que o Irão está a perder 500 milhões de dólares por dia, cerca de 426 milhões de euros, devido ao bloqueio americano.

“Durante a Operação Epic Fury, o Irão foi esmagado militarmente”, afirmou.

“Agora está a ser estrangulado economicamente pela Operação Economic Fury e perde 500 milhões de dólares por dia graças ao bloqueio bem-sucedido dos portos iranianos pelas Forças Armadas dos Estados Unidos.”

Negociações sob pressão

A Administração Trump defende que o regime iraniano sabe que a situação atual é insustentável e que o presidente americano “tem todas as cartas” enquanto decorrem negociações para tentar alcançar um acordo.

Mas a leitura dos serviços secretos introduz uma nota de cautela nessa narrativa.

Se o Irão ainda dispõe de petróleo, rotas alternativas, lançadores móveis e uma parte significativa do arsenal de mísseis, a pressão americana poderá demorar mais tempo a produzir efeitos decisivos.

A questão central passa a ser política e militar: saber se Teerão cederá antes de a crise económica se tornar insuportável ou se tentará prolongar o conflito, apostando no desgaste da vontade política dos Estados Unidos.

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