Guerra na Ucrânia faz crescer adesão ao Dia da Defesa Nacional: 36% dos jovens admitem entrar nas Forças Armadas

Em números absolutos, essa adesão correspondeu a cerca de 94 mil jovens. No ano passado, a taxa manteve-se elevada, nos 87%, acima da média de 83% registada ao longo de duas décadas

Revista de Imprensa

A participação dos jovens no Dia da Defesa Nacional aumentou em 2024 e 2025, num contexto marcado pela guerra na Ucrânia e pelo agravamento das preocupações com a segurança europeia. No ano em que a Rússia invadiu a Ucrânia, 88% dos jovens convocados compareceram, a taxa mais elevada desde a criação da iniciativa, avançou esta sexta-feira o ‘Público’.

Em números absolutos, essa adesão correspondeu a cerca de 94 mil jovens. No ano passado, a taxa manteve-se elevada, nos 87%, acima da média de 83% registada ao longo de duas décadas.

O ministro da Defesa, Nuno Melo, admite que o aumento possa estar relacionado com as alterações no contexto geopolítico, que trouxeram maior atenção pública às questões da defesa. Ao ‘Público’, o governante aponta também o recente aumento dos salários dos militares e as “múltiplas missões de natureza militar e de apoio às populações civis” como fatores que podem ter contribuído para esse crescimento.

O Dia da Defesa Nacional foi criado em 1999, no âmbito da alteração à Lei do Serviço Militar que acabou com o Serviço Militar Obrigatório, mas só começou a ser aplicado em 2004, quando Paulo Portas era ministro da Defesa.

Duas décadas depois, o modelo está novamente em discussão política. A AD propôs a criação de um serviço cívico voluntário, com duração entre três e seis semanas. O PS defende que sejam estudadas alternativas. O Chega quer avançar com uma Semana da Defesa Nacional, com uma duração mínima de cinco dias úteis.

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36% admitem entrar nas Forças Armadas

Segundo Nuno Melo, 36% dos participantes no Dia da Defesa Nacional admitiram poder vir a ingressar mais tarde nas Forças Armadas.

O principal motivo apresentado pelos jovens que afastam essa hipótese é a vontade de prosseguir o percurso escolar. Ainda assim, o ministro sublinha que o Dia da Defesa Nacional pretende, enquanto ação de comunicação, gerar uma imagem positiva das Forças Armadas e potenciar recrutamentos futuros.

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A tutela está agora a refletir sobre alterações mais profundas ao modelo, com o objetivo de criar uma relação mais direta entre o Dia da Defesa Nacional e os índices de recrutamento.

Nuno Melo não comenta diretamente a proposta de serviço cívico apresentada pela AD, mas reconhece que o Governo quer reforçar a ligação entre os jovens e a Defesa.

Mais adesão, menos militares

Apesar do aumento da participação dos jovens, o problema do recrutamento continua por resolver.

Ao longo de 20 anos, cerca de 1,878 milhões de jovens responderam à convocatória para o Dia da Defesa Nacional. Ainda assim, o número de militares diminuiu de forma expressiva.

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Entre 2005 e 2023, as Forças Armadas passaram de 38.246 para 23.757 militares. Nos últimos anos houve uma ligeira recuperação, mas a Marinha continua a registar uma quebra.

A meta do atual Governo é chegar a 2027 com mais 3.700 efetivos. Esse reforço é justificado pela necessidade de acompanhar os novos equipamentos que o Estado pretende adquirir e pelos compromissos assumidos com a NATO.

Um dia obrigatório, mas sem coimas

O Dia da Defesa Nacional foi criado para manter uma ligação entre os jovens e as Forças Armadas depois do fim do Serviço Militar Obrigatório.

Na prática, consiste num dia de contacto com instituições militares, realizado em vários distritos do país, para jovens que completam 18 anos.

A comparência é obrigatória, salvo em situações como doença ou residência no estrangeiro. No entanto, segundo o ‘Público’, nunca foram aplicadas coimas a quem faltou sem justificação.

Durante esse dia, os jovens visitam unidades militares, conhecem equipamentos e recebem informação sobre as missões das Forças Armadas, os objetivos da defesa nacional, os direitos e deveres dos cidadãos e as possibilidades de prestação de serviço militar.

Nas primeiras seis edições, apenas eram convocados jovens do sexo masculino. A partir de 2010, as mulheres passaram também a participar.

Defesa volta ao centro do debate

A guerra na Ucrânia, o reforço dos compromissos com a NATO e o debate sobre investimento militar voltaram a colocar a Defesa Nacional no centro da agenda política.

O aumento da adesão ao Dia da Defesa Nacional mostra que há maior disponibilidade dos jovens para contactar com estas matérias. Mas o desafio principal continua a ser outro: transformar esse interesse em recrutamento efetivo.

É esse o ponto que une o debate político em curso. AD, PS e Chega partem de propostas diferentes, mas convergem num diagnóstico: o atual Dia da Defesa Nacional pode já não ser suficiente para responder às necessidades das Forças Armadas.

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