Mais de 90 vacinas estão em desenvolvimento na Europa para responder a novas ameaças sanitárias

Apesar do reconhecimento generalizado sobre a importância das vacinas, as especialistas alertaram para o crescimento de teorias falsas e campanhas de desinformação.

Executive Digest

A investigação em vacinas está a atravessar uma fase de forte crescimento na Europa, com mais de 90 candidatas atualmente em desenvolvimento clínico. O objetivo passa por responder a algumas das maiores ameaças sanitárias da atualidade, incluindo o VIH, doenças respiratórias e resistências antimicrobianas.

De acordo com o El Economista, os novos projetos incluem vacinas destinadas a doenças como a gripe, o vírus sincicial respiratório (VSR) e novas formulações contra a Covid-19. Existem ainda investigações focadas em bactérias resistentes a antibióticos, como a Clostridium, numa tentativa de combater o crescente problema das resistências antimicrobianas.

O tema esteve em destaque no colóquio “Prevenção, resiliência e sustentabilidade de uma perspetiva One Health: vacinas, inovação e preparação para futuras crises”, realizado no âmbito do III Fórum Saúde organizado pelo El Economista.

Ana Hernando, diretora de Relações Institucionais da área de vacinas da GSK, afirmou que este é um momento decisivo para identificar necessidades médicas ainda sem resposta eficaz.

Segundo o El Economista, a responsável defendeu também uma mudança na forma como a vacinação é encarada pelos sistemas de saúde, considerando-a um investimento estratégico e não apenas um custo. Atualmente, a vacinação representa menos de 1% dos 105 mil milhões de euros do Sistema Nacional de Saúde espanhol.

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Na visão da responsável, um reforço do investimento em prevenção permitiria melhorar a resiliência dos sistemas de saúde e atrasar o aparecimento de doenças associadas ao envelhecimento.

O envelhecimento da população foi outro dos temas centrais debatidos no encontro. Espanha é um dos países europeus com maior esperança média de vida, mas isso não significa necessariamente mais anos vividos com boa saúde.

Dados do Eurostat citados durante o debate indicam que a esperança de vida saudável ronda os 64 anos, o que significa que muitos cidadãos passam cerca de duas décadas a viver com doença.

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Ana Hernando alertou que o envelhecimento afeta diretamente o sistema imunitário, tornando a prevenção ainda mais importante. A responsável sublinhou que atrasar a fragilidade física reduz a pressão sobre os serviços de saúde e permite aos profissionais concentrarem-se em patologias agudas.

Alterações climáticas aumentam risco de doenças

Gloria Pol Ferrer, responsável de medicina veterinária da LETI Pharma, destacou o impacto das alterações climáticas na propagação de doenças infecciosas. A especialista explicou que o aumento de vetores transmissores está a alterar a distribuição destas doenças em várias regiões do mundo.

A responsável salientou ainda a importância da abordagem “One Health”, que integra saúde humana, animal e ambiental, defendendo uma resposta mais preventiva e coordenada.

Além disso, considerou que a inteligência artificial poderá desempenhar um papel importante na previsão de riscos e na preparação para futuras crises sanitárias.

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Apesar do reconhecimento generalizado sobre a importância das vacinas, as especialistas alertaram para o crescimento de teorias falsas e campanhas de desinformação.

Ana Hernando afirmou que muitas destas narrativas têm grande capacidade de influência e defendeu a necessidade de monitorizar e combater a desinformação com o apoio dos profissionais de saúde.

Também foram apontadas desigualdades no acesso à vacinação e diferenças regionais nas estratégias adotadas. Segundo as intervenientes, continuam a existir dificuldades em transformar recomendações em níveis reais de cobertura vacinal.

Outro problema identificado passa pelo modelo de vacinação ainda demasiado centrado nos hospitais, quando a vacinação em outros locais poderia aumentar significativamente a adesão da população.

As especialistas concluíram que a transição demográfica e os novos desafios sanitários exigem sistemas de saúde mais preventivos, assentes em dados interoperáveis, planeamento financeiro de longo prazo e maior aposta na inovação científica.

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