A Greenpeace lança esta sexta-feira a sua primeira expedição de um mês às águas profundas do Ártico, com cientistas que vão explorar ecossistemas em águas internacionais e recolher provas científicas sobre a necessidade de criar áreas marinhas protegidas.
A expedição “Ártico Profundo” parte da Irlanda em 08 de maio em direção à Dorsal Médio-Atlântica, localizada entre a Noruega e a Gronelândia, e terminará em 05 de junho em Bergen, na Noruega, onde as descobertas iniciais serão apresentadas aos políticos e ao público, de acordo com um comunicado da Greenpeace Espanha.
Segundo fontes da Greenpeace à agência Efe, a organização já realizou outras expedições ao Ártico, mas esta será a primeira a explorar as profundezas das suas águas marinhas.
A partir daí, os investigadores transmitirão em direto de uma profundidade de aproximadamente 3.000 metros entre 15 e 30 de maio.
A expedição “Ártico Profundo” é liderada pela Greenpeace Internacional, Greenpeace Alemanha e Greenpeace Nórdico.
Na Dorsal Médio-Atlântica, os cientistas vão concentrar-se na exploração de montes submarinos — pontos de biodiversidade no oceano profundo – e de campos de fontes hidrotermais, nascentes vulcânicas subaquáticas que sustentam a vida na escuridão total.
Segundo a Greenpeace, esta área tem sido alvo da insaciável indústria mineira em águas profundas, uma atividade que, de acordo com a comunidade científica, causaria danos irreversíveis a estes ecossistemas marinhos vulneráveis, incluindo a destruição de habitats e a potencial extinção de espécies.
O Governo norueguês, sublinhou ainda a organização, planeava aprovar a mineração na área da expedição, mas os protestos de organizações ambientais, cientistas e partidos verdes da oposição conseguiram suspender os seus planos por enquanto.
A expedição, acrescentaram, é um alerta para que os governos trabalhem em “propostas ambiciosas para a criação de santuários marinhos e se comprometam, com a meta de conservação 30×30”, a proteger pelo menos 30% das áreas terrestres, de água doce e oceânicas do planeta até 2030, uma meta apoiada por quase 200 países para travar a perda de biodiversidade e reduzir o impacto climático.
De acordo com a Greenpeace, o Ártico é uma das “regiões que mais rapidamente se transformam e estão menos protegidas da Terra”.
A organização ambientalista alertou também que “à medida que a fronteira industrial se expande em direção ao abismo, pontos críticos de biodiversidade únicos correm o risco de sofrer alterações irreversíveis”.
Segundo a Greenpeace, as profundezas do Ártico albergam uma “vida selvagem única”, desde baleias mergulhadoras e polvos-dumbo a ecossistemas com corais de águas profundas e antigos jardins de esponjas, “as formas de vida mais antigas do planeta”.
Anne Helene Tandberg, do Museu Universitário de Bergen (Noruega), frisou que “as profundezas do Ártico e dos mares nórdicos são o coração pulsante dos oceanos do norte”.
“Estamos a documentar os órgãos vitais de um ecossistema global que mantém o nosso planeta habitável”, apontou.
Já Sandra Schöttner, cientista-chefe da Greenpeace Internacional, afirmou que não é possível proteger o que não é conhecido e garantiu que esta expedição irá recolher provas científicas sobre os vulneráveis ecossistemas marinhos de águas profundas do Ártico.













