“Persiste uma grande burocratização, traduzida em tempo à legalização de trabalhadores estrangeiros”, diz o CEO da construtora TPS

Em entrevista à Executive Digest, Bruno Soares analisa o momento atual do setor, marcado por forte dinamismo mas também por desafios estruturais persistentes.

André Manuel Mendes

O setor da construção atravessa um ciclo de forte atividade, impulsionado sobretudo pela procura no mercado habitacional e pelo investimento público associado aos fundos comunitários. Mas esse dinamismo, sublinha Bruno Soares, presidente do conselho de administração da TPS, está longe de assentar em bases estruturais sólidas, continuando a ser condicionado por desafios persistentes como a escassez de mão de obra, a pressão sobre custos e a falta de planeamento de longo prazo.

Em entrevista à Executive Digest, o responsável analisa o momento atual do setor, marcado por forte dinamismo mas também por desafios estruturais persistentes, desde a escassez de mão de obra à necessidade de maior previsibilidade no investimento público e de uma abordagem mais integrada às políticas de imigração e formação.

 

2025 foi um ano marcado por forte pressão sobre custos e escassez de mão de obra. Que análise faz do estado da arte do setor?

O setor vive um momento de forte dinâmica económica, mas esta assenta sobretudo na procura imediata (habitação e mercado privado) e não em ganhos estruturais de produtividade. O dinamismo atual do setor não decorre de uma estratégia pública, consertada e planeada a pelo menos 10 anos, mas sim da pressão do mercado privado, sobretudo habitacional.

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O problema de escassez de mão de obra, que é um problema estrutural, não se resolve só com medidas avulsas “Via Verde”. A “Via Verde” já demonstrou, embora sendo um instrumento relevante, que não chega para a resolução do problema. Entendemos que é necessária uma abordagem integrada, onde a imigração regulada, políticas ativas de formação, valorização e reconversão de mão de obra nacional, sejam complementares e trabalhadas em simultâneo.

 

O crescimento de 39% no volume de negócios, para 157 milhões de euros, é expressivo. Que fatores foram mais determinantes para este desempenho?

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A credibilidade conquistada ao longo dos anos no mercado onde operamos, permitiu-nos aumentar consideravelmente o volume de adjudicações de empreitadas de clientes privados.  Obtivemos adjudicações de empreitadas de novos clientes, assim como, o reforço de novas adjudicações com clientes que trabalhamos habitualmente.

As obras públicas, tiveram um incremento de oferta, não sendo despiciente a implementação mais acentuada do PRR.

 

Iniciar 14 obras e concluir 15 no mesmo ano revela uma elevada capacidade operacional. Como é que a empresa garante controlo, qualidade e prazos num volume tão elevado de projetos?

Revelamos essa capacidade operacional, qualidade e cumprimento de prazos, apostando numa equipa estável, em que, o compromisso, dedicação e capacidade de superação fazem parte do nosso quotidiano.

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Investimos muito em formação, reorganizamos processos administrativos e produtivos e criamos incentivos.

Fomentamos as parcerias existentes e criamos novas, sempre com um objetivo comum, a satisfação do nosso cliente.

Como resultado das ações adotadas, estamos orgulhosos com os resultados obtidos em 2025.

 

A TPS entra em 2026 com uma carteira de obras de 303 milhões de euros. Que tipo de projetos dominam esta carteira e que grau de previsibilidade dão ao negócio?

A nossa carteira de obras está muito equilibrada com empreitadas públicas e privadas.

Os projetos mais dominantes são os habitacionais, no entanto, também temos no nosso portfolio escolas, centros de investigação, hospitais, etc.

O nosso portfolio é suportado por projetos de grande dimensão, que nos permitem encarar o futuro com relativa segurança.

 

Os objetivos para 2026 apontam para 200 milhões de euros em volume de negócios e 350 milhões em carteira de obras. Onde residem os maiores riscos e oportunidades para atingir estas metas?

Estamos confiantes na concretização destes objetivos, pois os mesmos fazem parte do nosso plano estratégico 2026/2030.

No que concerne ao volume de negócios atingir o mesmo esta suportado pelos contratos que temos assinados.

Relativamente à carteira de obras que nos comprometemos atingir, esta alicerçada com o volume de empreitadas que vai transitar de ano, assim como, em novas adjudicações que nos serão feitas durante o ano de 2026. O País continua a ter necessidade de construir mais habitação, Pública e privada, assim como, continuar a reforçar o investimento publico em novas infraestruturas.

 

O investimento público na habitação e os fundos comunitários são apontados como motores do setor. A TPS sente que o pipeline de obras públicas está finalmente a ganhar escala?

Há na realidade, um grande valor de fundos comunitários alocados ao setor da construção e a nossa carteira de obras reflete em parte esse investimento.

O setor precisa é que esse investimento perdure no tempo e que não seja uma vez mais investimentos pontuais.

 

A escassez de mão de obra continua a ser um dos maiores desafios do setor?

Certamente que sim. Já sendo um desafio atual, com as grandes obras públicas que se anunciam será um problema que se irá agravar se nada for feito.

Acreditamos que com a industrialização do setor e com projetos pensados para esta nova realidade, poderemos mitigar alguns destes problemas.

 

Que obstáculos persistem ao nível da contratação e legalização de trabalhadores estrangeiros e que mudanças considera urgentes?

Persiste uma burocratização muito grande, traduzida em tempo à legalização de trabalhadores estrangeiros, nomeadamente daqueles que se encontram ainda no país de origem e querem trabalhar em Portugal.

Urge desburocratizar e agilizar todo o processo.

 

A TPS mantém-se atenta a oportunidades de aquisição. Que tipo de empresas ou competências fazem sentido integrar no grupo?

Estamos sempre atentos a novas oportunidades que o mercado ofereça.

Essa aquisição será sempre em empresas que tragam uma mais valia e novas valências à TPS.

O investimento será consoante as oportunidades que surgirem.

 

Que legado gostaria que a liderança atual deixasse na empresa na próxima década?

Que a TPS seja reconhecida como empresa credível, inovadora e parceira nos projetos com os seus clientes, com forte responsabilidade ambiental e reconhecida como empresa tecnologicamente avançada.

 

 

 

 

 

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