Covid-19. Poderá um ‘bloqueio estruturado’ de oito meses reduzir pela metade os danos económicos?

Para os economistas, o preço, em termos económicos da inação, quando se trata de incentivar o distanciamento social, pode ser o dobro do preço de um “bloqueio estruturado”.

Sónia Bexiga

A imposição de “bloqueios estruturados” de oito meses poderia reduzir pela metade a destruição económica que seria causada pela covid-19 se nenhuma medida de distanciamento social fosse imposta, segundo defendem os economistas da Universidade de Cambridge e da Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed).

A reabertura da economia tem vindo a revelar-se um ponto de tensão em alguns países, com os danos económicos a rivalizar com a premente proteção da saúde pública, ainda pressionados pelas ondas de protestos contra as medidas restritivas, como acontece nos Estados Unidos ou no Brasil.

De acordo com o estudo dos citados organismos, publicado quarta-feira, para os economistas, o preço, em termos económicos da inação, quando se trata de incentivar o distanciamento social, pode ser o dobro do preço de um “bloqueio estruturado”.
Recorrendo a dados económicos e populacionais dos EUA, os economistas combinaram macroeconomia com epidemiologia para determinar as consequências económicas das políticas de bloqueio. Os analistas observaram que o seu modelo poderia ser aplicado às economias mais desenvolvidas.

Concluindo então que não impor qualquer bloqueio seria “extremamente arriscado” para a produção económica, pois a disseminação do vírus atingiria trabalhadores de setores vitais para manter as economias desenvolvidas a funcionar.

Sem qualquer distanciamento social, a força de trabalho principal seria fortemente atingida – e a economia diminuiria a uma taxa mensal máxima de 30%, à medida que os seus setores fossem pressionados, projetou o estudo.

Assim, os economistas alegam que, para proteger ao máximo a economia, os “trabalhadores principais” – aqueles em setores-chave como saúde, alimentação e transporte – devem ser separados do restante da população trabalhadora.

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“O que parece claro para nós é que não é aceitável agir do ponto de vista da saúde pública que é também extremamente arriscado do ponto de vista económico”, frisaram os autores do relatório.  
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