A incerteza em torno do estado de saúde e possível destino de Mojtaba Khamenei voltou a intensificar-se após a divulgação de um mural público no Irão que o inclui entre figuras políticas e militares já falecidas, alimentando novas especulações sobre o sucessor do líder supremo iraniano.
Segundo a Euronews, o mural, entretanto tornado viral, foi inaugurado em Mashhad Ardehal, a oeste de Kashan, com o título “Mártires da luta épica”. A obra retrata várias figuras de topo do regime iraniano já mortas, incluindo o general Qassem Soleimani, o antigo presidente Ebrahim Raisi e o fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini.
A divulgação das imagens nas redes sociais gerou uma onda de interrogações sobre o estado de Mojtaba Khamenei, que não é visto em público há cerca de dois meses, desde os ataques de 28 de fevereiro em Teerão. As autoridades iranianas não emitiram qualquer comentário oficial sobre o caso.
O mural não foi o único elemento a aumentar a especulação. A agência Tasnim, ligada ao Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC), referiu-se recentemente a Khamenei como o “líder mártir da revolução”, embora tenha posteriormente classificado a expressão como um erro. Ainda assim, o episódio contribuiu para reforçar dúvidas sobre a sua condição real.
Segundo relatos citados por meios internacionais e por responsáveis iranianos, Mojtaba Khamenei terá sofrido ferimentos graves durante os ataques de 28 de fevereiro, incluindo lesões severas nos membros e no rosto, tendo sido submetido a várias cirurgias. Algumas fontes indicam ainda que poderia ter permanecido consciente e envolvido em processos de decisão, embora estas informações não tenham sido confirmadas de forma independente.
Outros relatos apontam para a possibilidade de ter sido submetido a cirurgia plástica e de estar a ser acompanhado clinicamente pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian, que é médico de formação. No entanto, estas alegações permanecem sem confirmação verificável.
A ausência de aparições públicas de Mojtaba Khamenei desde o início do conflito e a utilização de um boneco de cartão durante a sua suposta apresentação pública inicial aumentaram ainda mais a perceção de opacidade em torno da sua condição. A sua primeira mensagem à nação terá sido lida na comunicação social estatal cerca de duas semanas após a sua nomeação.
A incerteza foi reforçada por declarações recentes de Ali Nikzad, vice-presidente do parlamento iraniano, que mencionou uma “primeira instrução” de Khamenei relativa ao Estreito de Ormuz, sem referência a qualquer intervenção posterior.
Também do exterior têm surgido especulações. O presidente norte-americano Donald Trump e o secretário da Defesa Pete Hegseth já tinham sugerido anteriormente que Khamenei poderia ter sido ferido e desfigurado durante os ataques.
A situação é ainda mais complexa devido à circulação de vídeos online alegadamente mostrando Mojtaba Khamenei, alguns dos quais foram classificados por utilizadores como conteúdos gerados por inteligência artificial, o que tem contribuído para aumentar a confusão e a incerteza sobre o seu verdadeiro estado.
Até ao momento, não existe confirmação independente sobre a sua condição, mantendo-se o silêncio das autoridades iranianas como o principal fator que alimenta a especulação em torno de uma possível crise de sucessão no topo do regime iraniano.












