Conservadores alemães pressionam Von der Leyen para travar a “máquina de Bruxelas”

Os conservadores alemães estão a intensificar a pressão sobre a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, exigindo uma redução significativa do poder regulatório de Bruxelas e um corte profundo na burocracia da União Europeia.

Pedro Zagacho Gonçalves

Os conservadores alemães estão a intensificar a pressão sobre a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, exigindo uma redução significativa do poder regulatório de Bruxelas e um corte profundo na burocracia da União Europeia. O confronto deverá ocorrer esta segunda-feira, em Berlim, numa reunião fechada com deputados da União Democrata-Cristã (CDU), liderada pelo chanceler alemão Friedrich Merz.

Segundo dois parlamentares envolvidos no processo, a reunião contará com a presença de von der Leyen e servirá para apresentar exigências mais duras destinadas a acelerar a redução de regulamentos considerados excessivos para as empresas alemãs. O tema está a gerar tensão entre aliados ideológicos dentro do Partido Popular Europeu, revelando um crescente descontentamento com o ritmo das reformas na União Europeia.

De acordo com documentos preliminares obtidos pela POLITICO, os conservadores prepararam um conjunto de 27 propostas integradas numa estratégia intitulada “agenda para a redução sustentável da burocracia a nível da UE”. Entre as medidas mais controversas está a criação de um organismo de supervisão com poder de veto sobre nova legislação proposta pela Comissão Europeia. Essa estrutura poderia ser criada como entidade independente a nível europeu ou através da expansão do atual Regulatory Scrutiny Board, embora tal mudança implicasse uma revisão dos tratados europeus.

Propostas para limitar o poder institucional de Bruxelas
O plano conservador vai além da supervisão legislativa. Outro ponto sugere que as instituições europeias adotem uma interpretação mais restritiva das suas competências e que seja ponderada uma redução do número de funcionários da própria Comissão Europeia e de outras instituições comunitárias. O objetivo declarado é travar o que os deputados consideram ser uma expansão excessiva do aparelho burocrático europeu.

Em versões anteriores do documento, chegou a ser discutida uma proposta ainda mais radical: condicionar as contribuições financeiras dos Estados-membros ao orçamento da UE ao sucesso da Comissão na redução da regulação. Essa medida acabou por ser retirada da versão mais recente por ser considerada excessiva.

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Crescente frustração entre Berlim e Bruxelas
Até recentemente, Ursula von der Leyen e o seu partido de origem, a CDU de Friedrich Merz, alinhavam-se na defesa da competitividade europeia e da simplificação legislativa. No entanto, a relação tem vindo a deteriorar-se, com os conservadores alemães a acusarem a Comissão de lentidão nas reformas.

A pressão surge num contexto em que o governo de Merz enfrenta dificuldades internas para cumprir as promessas eleitorais de relançamento da economia alemã. As previsões de crescimento para 2026 foram recentemente reduzidas para metade, refletindo a fragilidade económica agravada pelo impacto da guerra no Irão e por tensões comerciais internacionais.

Perante a dificuldade em implementar reformas estruturais em coligação com o Partido Social-Democrata, o chanceler alemão tem direcionado críticas crescentes para Bruxelas. “Esta máquina da Comissão Europeia continua sempre e sempre e sempre”, afirmou num evento empresarial em Colónia. “Temos de colocar um travão nesta máquina em Bruxelas para que pare”, acrescentou.

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Comissão europeia sob pressão para acelerar reformas
A Comissão Europeia tem tentado responder às críticas através de pacotes legislativos de simplificação, incluindo medidas relacionadas com o Green Deal. No entanto, os conservadores alemães consideram estas iniciativas insuficientes em escala e velocidade.

Von der Leyen já havia defendido anteriormente que parte da responsabilidade pela carga burocrática recai também sobre os Estados-membros. “Temos de olhar também para o nível nacional; há demasiado acréscimo de legislação que torna a vida das empresas mais difícil e cria novas barreiras no nosso mercado único”, afirmou numa reunião anterior da UE.

Apesar das divergências, o documento conservador está praticamente concluído e deverá ser submetido a votação interna esta segunda-feira no grupo parlamentar da CDU no Bundestag. Só após essa aprovação poderá tornar-se posição oficial do partido no parlamento alemão, consolidando uma linha mais dura de Berlim em relação a Bruxelas.

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