Quando a Tesla divulgar os resultados do primeiro trimestre, quando encerrarem os mercados esta quarta-feira, muitos acionistas individuais não estarão minimamente preocupados com os pontos que dominam, por estes dias, as conversas e negociações: os efeitos da pandemia do coronavírus.
A visão dos acionistas da gigante Tesla difere bastante da dos analistas tradicionais e investidores institucionais, que querem ouvir atualizações sobre a liquidez da empresa em 2020 e possíveis movimentos para aumentar a procura durante uma recessão que se espera prolongada devido à epidemia, noticia a ‘Reuters’.
Aquilo a que estão verdadeiramente focados, segundo as perguntas enviadas pelos próprios para os serviços da Tesla, prende-se com as próximas etapas da expansão para o mercado dos “robot taxi”, a tecnologia autónoma da empresa que está inclusivamente a estudar a criação de pneus sem ar para reduzir os custos de manutenção.
Das 50 principais perguntas, apenas quatro se referem ao novo coronavírus, com um investidor a perguntar sobre que medidas de salvaguarda a Tesla implementará para proteger os funcionários das fábricas dos EUA. Outro questionou ainda se a Tesla tinha planos para se expandir para o mercado de entrega de produtos alimentares, onde a procura disparou durante a pandemia.
Os investidores podem votar numa pergunta específica e a administração da Tesla, incluindo o CEO Elon Musk, geralmente respondem às mais populares. Atualmente, a principal pergunta dos investidores é se Musk cumprirá a sua meta de uma taxa de crescimento anual de 50% nos próximos cinco a 10 anos ou se uma meta de 40% seria mais realista.
Muitos analistas institucionais estimam que a Tesla tenha uma taxa de crescimento anual na ordem dos 20%. Em média, a receita do trimestre até março deve subir 30%, para 5,9 mil milhões de dólares, segundo a Refinitiv, abaixo da estimativa inicial de fevereiro de 6,7 mil milhões.
A Tesla anunciou um forte impulso nas entregas de veículos nos primeiros três meses de 2020, altura em que as outras fábricas americanas enfrentaram uma queda nas vendas, à medida que os problemas do coronavírus e as restrições começaram a ocorrer.
A empresa em meados de fevereiro levantou 2 mil milhões de dólares numa oferta de ações, e os investidores agora vão querer saber se isso cobre as quebras de tesouraria, enquanto a empresa avança na produção do novo veículo utilitário desportivo Modelo Y.






