A ironia (ou absurdo…) da Tesla: carro conduz sozinho – mas antes o condutor tem de garantir que é ele quem manda…

Antes de ativar a chamada condução totalmente automática da Tesla na Europa, há um passo obrigatório que está a dar que falar: responder a um mini questionário. Entre as perguntas, uma destaca-se pelo óbvio – confirmar que o condutor continua responsável pela condução, mesmo quando o carro promete conduzir sozinho.

Automonitor

A Tesla já começou a dar os primeiros passos para disponibilizar a sua tecnologia de condução totalmente automática (supervisionada) na Europa, com os Países Baixos a servirem de mercado piloto. No entanto, antes de os condutores poderem ativar o sistema, há um requisito obrigatório: completar um tutorial e responder a um pequeno questionário.

De acordo com o ‘L’Automobile Magazine’, este processo tem como principal objetivo garantir que os utilizadores compreendem exatamente como funciona a tecnologia e, sobretudo, que continuam a ser responsáveis pela condução, mesmo com o sistema ativo.

O chamado Full Self-Driving (FSD), ou Condução totalmente automática (supervisionada), exige que os condutores respondam corretamente a duas perguntas antes de ser ativado. A primeira pede ao utilizador que identifique corretamente no ecrã do veículo os sinais de que o sistema está ativo, como o volante e a trajetória em azul.

Já a segunda questão é mais direta e até considerada por alguns como algo paradoxal: pergunta se o condutor continua responsável pela condução segura enquanto o sistema está ativo. A única resposta possível para prosseguir é “Sim”.

Segundo a publicação especializada, esta aparente simplicidade não é inocente. Trata-se de um reforço claro da responsabilidade legal e comportamental do condutor, num contexto em que a tecnologia pode induzir uma sensação de autonomia total que, na prática, não existe.

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Europa impõe regras mais rigorosas

Este procedimento reflete a abordagem cautelosa das autoridades europeias em relação às tecnologias de assistência à condução. As regras internacionais aplicáveis a sistemas de nível 2 exigem que não haja margem para interpretações erradas sobre as capacidades do veículo.

Ao contrário da imagem mais ambiciosa que a Tesla construiu ao longo dos anos com termos como Autopilot ou Full Self-Driving, a realidade é que estes sistemas continuam a exigir supervisão constante do condutor.

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Mudança de linguagem para maior clareza

A própria Tesla já começou a ajustar o seu discurso na Europa. Em alguns mercados, a designação Autopilot está a ser substituída por expressões mais descritivas, como “Navegação com assistência ao controlo de direção”.

Ainda assim, a marca mantém o termo Condução totalmente automática (supervisionada), numa tentativa de equilibrar a promessa tecnológica com as exigências regulatórias.

Confiança continua a ser o maior desafio

A entrada da Tesla no mercado europeu com esta funcionalidade representa um passo importante, mas também evidencia um desafio central: a confiança dos utilizadores.

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A empresa já realizou mais de 1,6 milhões de quilómetros de testes na Europa, além de produzir extensa documentação técnica e realizar demonstrações para reguladores.

No entanto, mais do que a evolução tecnológica, o foco das autoridades está na forma como os condutores percecionam e utilizam o sistema. Quanto mais avançada parece a tecnologia, maior é o risco de excesso de confiança — e é precisamente isso que este pequeno questionário tenta evitar.

Assim, antes de falar em condução autónoma plena, a Europa quer garantir algo mais básico, mas essencial: que o condutor sabe que continua a estar ao volante.

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