Um caso insólito ocorrido em Madrid está a gerar polémica: um homem suspeito de roubar um relógio de luxo avaliado em 700 mil euros foi libertado, em parte porque a vítima não conseguiu provar o valor do objeto roubado.
De acordo com o jornal ABC, o incidente teve como protagonista um turista egípcio de 30 anos, identificado como Taha Mohamed, que se encontrava na capital espanhola a celebrar com amigos na discoteca Fitz, junto à Plaza de los Cubos.
A noite de festa terminou de forma caótica. O turista, já em estado de embriaguez avançado, foi ajudado pelos seguranças a sair do espaço e colocado num táxi. A curta viagem até ao hotel Pestana CR7, na Gran Vía, acabou por custar 36,5 euros, apesar de ter apenas cerca de 550 metros.
Ao chegar ao destino, por volta das 5h32 da manhã, o turista foi abordado por um indivíduo que aparentava conhecê-lo. As imagens de videovigilância mostram o suspeito a aproximar-se de forma amigável e a colocar o braço sobre os ombros da vítima – uma técnica conhecida como “Ronaldinho”, frequentemente usada por grupos especializados no roubo de relógios de luxo.
Roubo em segundos e fuga imediata
Em poucos instantes, o suspeito agarrou violentamente o braço do turista e arrancou-lhe o relógio – um Patek Philippe Nautilus, alegadamente avaliado em cerca de 700 mil euros – fugindo de imediato do local.
Apesar de o crime ter ocorrido numa zona movimentada, duas testemunhas próximas, trabalhadores da limpeza urbana, não intervieram nem alertaram as autoridades.
As câmaras de segurança da discoteca, do hotel e de edifícios próximos registaram toda a sequência, o que permitiu identificar rapidamente o suspeito.
O alegado autor, um cidadão marroquino de 27 anos com antecedentes criminais, foi detido pouco depois. Na sua residência, localizada no bairro de San Blas-Canillejas, a polícia encontrou indícios de tráfico de droga por parte de outros ocupantes do imóvel.
No entanto, o relógio não foi recuperado.
Segundo o ABC, apesar das provas recolhidas, o suspeito acabou por ser libertado. A principal razão prende-se com a incapacidade da vítima em apresentar documentação que comprovasse o valor real do relógio.
A defesa argumentou que, sem recibo ou prova de compra, não é possível garantir que o relógio fosse autêntico, sugerindo que poderia tratar-se de uma réplica de luxo avaliada em cerca de 600 euros.
O turista regressou ao Egito dois dias após o incidente, sem conseguir fornecer os documentos solicitados pelas autoridades.
Este caso volta a destacar a atividade de grupos organizados especializados no roubo de relógios de elevado valor em zonas turísticas de Madrid. A atuação destas redes levou mesmo à criação de unidades policiais específicas dedicadas a este tipo de crime.
O suspeito já tinha sido detido anteriormente em pelo menos cinco ocasiões por crimes semelhantes, envolvendo turistas e relógios de luxo.













