Porque é que o seu cão rouba sapatos? Ciência revela os segredos destes 4 comportamentos caninos

A convivência entre humanos e cães dura há milhares de anos, mas, apesar dessa relação próxima, muitos comportamentos caninos continuam a gerar dúvidas entre os donos.

Pedro Zagacho Gonçalves

A convivência entre humanos e cães dura há milhares de anos, mas, apesar dessa relação próxima, muitos comportamentos caninos continuam a gerar dúvidas entre os donos. Especialistas em comportamento animal explicam agora que várias dessas atitudes, aparentemente estranhas, têm explicações ligadas ao instinto, à ligação emocional e até ao ambiente doméstico.

Segundo Clive Wynne, diretor do Canine Science Collaboratory da Arizona State University, os humanos tendem a interpretar mal as emoções dos cães: “As pessoas têm uma intuição sobre as emoções dos cães, mas, em testes objetivos, são bastante más a interpretá-las.”

Roubar sapatos pode ser sinal de afeto
Um dos comportamentos mais comuns — cães que roubam sapatos e os levam para a cama — pode, afinal, estar ligado ao vínculo emocional com os donos. De acordo com Karen Jesch, do Boston College Canine Cognition Center, os cães são altamente sensíveis ao cheiro humano e associam-no a segurança e afeto.

“Os sapatos têm um cheiro muito forte, mas o mais importante é que esse cheiro é nosso”, explicou, acrescentando que o cérebro do cão reage positivamente a odores familiares. Também Wynne reforça que, ao contrário dos humanos, os cães não consideram esses odores desagradáveis, sendo guiados sobretudo pelo olfato. Este comportamento tende a acontecer quando os donos estão ausentes, funcionando como uma forma de manter por perto algo associado à sua presença.

Uivar ao rádio pode ser instinto ancestral
Outro comportamento frequente — cães que uivam ao ouvir rádio ou música — pode ter origem nos seus antepassados selvagens. Os lobos utilizam o uivo como forma de comunicação à distância, e muitos cães domésticos mantêm esse instinto.

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Segundo Wynne, determinados sons ou frequências podem desencadear essa reação: “Os tons podem ativar algo no cérebro do cão que o faz responder como se estivesse a comunicar com outros membros da ‘alcateia’.” Outra hipótese é o reforço comportamental: se o dono reage com entusiasmo, o cão aprende a repetir o comportamento para obter atenção.

Comer fora da tigela é uma questão de conforto e instinto
Há também cães que retiram a comida da tigela antes de a consumir, um hábito que pode parecer estranho, mas que tem explicações práticas. Jesch aponta o desconforto como uma das razões — tigelas instáveis ou ruídos podem incomodar o animal.

Já Vanessa Woods, da Duke Puppy Kindergarten, lembra que este comportamento tem raízes no estado selvagem: “Quando encontram comida, os cães não a consomem no local — podem levá-la para um espaço mais seguro.” Além disso, fatores como a proteção de recursos ou simplesmente preferência individual também podem influenciar esta atitude.

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Destruir objetos e perseguir movimentos é instinto predatório
Por fim, comportamentos como perseguir baloiços ou destruir objetos — como cones de trânsito — estão ligados ao chamado “ciclo predatório”. Este inclui etapas como procurar, perseguir, agarrar e desmembrar.

Segundo Jesch, “uma das fases desse processo é precisamente destruir o objeto”, o que explica porque alguns cães parecem ter uma necessidade quase compulsiva de rasgar determinados materiais. Woods acrescenta que cada cão pode ter preferências específicas por texturas, o que explica porque alguns destroem apenas certos objetos.

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