Peru nomeia novo chefe da diplomacia após crise devido a compra de caças aos EUA

O presidente interino do Peru, José María Balcázar, nomeou Carlos Pareja Ríos como novo ministro dos Negócios Estrangeiros, substituindo Hugo De Zela, que se demitiu devido a divergências sobre a compra de caças norte-americanos.

Executive Digest com Lusa

O presidente interino do Peru, José María Balcázar, nomeou Carlos Pareja Ríos como novo ministro dos Negócios Estrangeiros, substituindo Hugo De Zela, que se demitiu devido a divergências sobre a compra de caças norte-americanos.


Balcázar presidiu na quinta-feira à cerimónia de tomada de posse de Pareja Ríos, de 75 anos, no Palácio do Governo, em Lima, na qual também esteve presente o ministro da Defesa.


Amadeo Flores foi nomeado após a demissão do anterior ministro, Carlos Díaz, que também se deveu à decisão de adiar a compra dos caças F-16 aos Estados Unidos, tomada por José María Balcázar.


Uma decisão que coloca o “país em perigo e mina a sua credibilidade”, disse Hugo De Zela, ao apresentar a demissão, na quarta-feira.


José María Balcázar tinha defendido que o contrato para a compra dos caças F-16 deveria ser tratado pelo próximo governo, embora as negociações já tivessem chegado a um acordo final.

Continue a ler após a publicidade

“O contrato foi assinado na segunda-feira, mas vários órgãos de comunicação social têm dito que não foi assinado; isso é uma mentira descarada”, disse De Zela, que afirmou ter tentado convencer Balcázar a mudar de ideias.


Após as demissões dos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, o primeiro-ministro Luis Arroyo confirmou na quarta-feira que o Governo adquiriu uma frota de caças F-16 Block 70, fabricados nos Estados Unidos, para a Força Aérea Peruana.


Luis Arroyo afirmou que todos os compromissos financeiros assumidos de acordo com o cronograma acordado foram cumpridos.

Continue a ler após a publicidade

“Esta decisão é de natureza estratégica e é da responsabilidade do poder Executivo cumprir e fazer cumprir os acordos assinados”, declarou Arroyo, horas depois de Balcázar ter reiterado a posição de recomendar que o próximo governo, que assumirá o poder no final de julho, decida se vai avançar com a aquisição.


A decisão de Balcázar foi anunciada na passada sexta-feira, numa entrevista de rádio.


Em resposta, o embaixador dos EUA, Bernie Navarro, ameaçou com represálias contra o Peru caso o país não cumpra o acordo preliminar alegadamente assinado em segredo com o Governo do ex-presidente interino José Jerí, destituído em fevereiro.


A compra está avaliada em 462 milhões de dólares (395 milhões de euros).


As demissões acontecem numa altura em que o Peru também ainda espera para saber quais os dois candidatos que irão avançar para a segunda volta das eleições presidenciais, 11 dias depois da primeira ronda.

Continue a ler após a publicidade

Os resultados definitivos das eleições só deverão ser conhecidos em meados de maio.


As eleições ficaram marcadas por problemas logísticos na distribuição de urnas e boletins, o que atrasou a abertura de várias mesas de voto, especialmente em Lima.


O Ministério Público do Peru requereu a prisão preventiva do antigo chefe do órgão eleitoral, Piero Corvetto, por irregularidades ocorridas durante o escrutínio.


Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.