Rei Carlos III inicia hoje visita de Estado aos EUA com discurso no Congresso e jantar na Casa Branca

O rei Carlos III inicia esta segunda-feira uma visita oficial de quatro dias aos Estados Unidos, numa deslocação de elevado simbolismo político e diplomático que assinala os 250 anos da independência norte-americana face ao Reino Unido.

Pedro Zagacho Gonçalves

O rei Carlos III inicia esta segunda-feira uma visita oficial de quatro dias aos Estados Unidos, numa deslocação de elevado simbolismo político e diplomático que assinala os 250 anos da independência norte-americana face ao Reino Unido. A chegada a Washington, D.C., marca o arranque de um programa que inclui encontros institucionais, cerimónias oficiais e deslocações a Nova Iorque e ao estado da Virgínia.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, antecipou a visita com elogios públicos ao monarca britânico, sublinhando que a presença de Carlos III poderá contribuir para aliviar tensões recentes entre Washington e Londres.

Trump elogia “um homem fantástico e corajoso”
Numa entrevista concedida esta semana à BBC, Donald Trump manifestou entusiasmo com a deslocação do soberano britânico.

“Absolutely. He’s fantastic. He’s a fantastic man. Absolutely the answer is yes”, afirmou o presidente norte-americano, quando questionado sobre se a visita poderá ajudar a atenuar divergências entre os dois países.

Trump acrescentou ainda: “I know him well, I’ve known him for years. He’s a brave man, and he’s a great man. They would absolutely be a positive.”

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As declarações surgem num contexto de fricção diplomática entre a administração norte-americana e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, com quem Trump tem divergido em matérias como imigração, a guerra no Irão e a nomeação do antigo embaixador britânico nos Estados Unidos, Peter Mandelson.

Uma visita ligada aos 250 anos da independência americana
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, a visita está integrada nas celebrações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos e enquadra-se numa parceria baseada em “prosperidade, segurança e história partilhadas”.

O rei Carlos III, de 78 anos, e a rainha Camilla, de 79, aterram hoje em Washington, onde serão recebidos informalmente pelo presidente Donald Trump, de 79 anos, e pela primeira-dama Melania Trump, que celebra 56 anos no próximo fim de semana.

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O programa inicial inclui um chá privado, uma receção no jardim e uma revista militar cerimonial.

Discurso histórico no Congresso
Um dos momentos mais marcantes da visita acontecerá em Washington, onde Carlos III se tornará apenas o segundo monarca britânico a discursar perante uma sessão conjunta do Congresso dos Estados Unidos.

A rainha Isabel II foi a primeira — e até agora única — soberana britânica a fazê-lo, em 1991, durante a terceira de quatro visitas oficiais que realizou aos Estados Unidos ao longo do seu reinado.

O discurso de Carlos III no Capitólio é encarado como um gesto de reforço da aliança histórica entre os dois países.

Jantar de Estado e deslocação a Nova Iorque
A agenda inclui ainda um jantar de Estado na Casa Branca, onde o rei e a rainha serão homenageados oficialmente pela administração norte-americana.

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Após os compromissos em Washington, o casal real viajará até Nova Iorque, onde está prevista uma visita ao One World Trade Center e uma receção dedicada ao The King’s Trust.

Seguir-se-á uma deslocação à Virgínia, onde Carlos III e Camilla irão reunir-se com residentes locais e organizações comunitárias, assistir a atuações de grupos culturais dos Apalaches e participar numa “block party” num parque nacional, integrada nas comemorações do 250.º aniversário da independência dos Estados Unidos.

Contexto político sensível no Reino Unido
A visita decorre num momento politicamente delicado no Reino Unido, com o primeiro-ministro Keir Starmer sob crescente pressão interna. A polémica em torno da nomeação de Peter Mandelson para embaixador nos Estados Unidos agravou as críticas ao chefe do Governo britânico.

Em fevereiro, Mandelson foi detido sob suspeita de má conduta em funções públicas. O jornal The Telegraph noticiou que a Scotland Yard investiga alegadas partilhas de informação governamental e de mercado sensível com Jeffrey Epstein, quando Mandelson exercia funções como secretário de Estado para os Negócios.

Trump comentou o caso numa publicação de 20 de abril na rede Truth Social, classificando Mandelson como “a really bad pick” para embaixador, mas acrescentando que Starmer ainda teria “plenty of time to recover”.

Em declarações à BBC, o presidente norte-americano condicionou essa recuperação a uma mudança de orientação política por parte do primeiro-ministro britânico: “If he opened the North Sea and if his immigration policies became strong, which right now they’re not, he can recover. But if he doesn’t, I don’t think he has a chance.”

Divergências sobre o Irão
Outro ponto de tensão recente prende-se com o envolvimento do Reino Unido na guerra no Irão. Trump afirmou não estar satisfeito com o nível de apoio britânico.

“I didn’t need them at all, but they should’ve been there. I didn’t need them, obviously”, declarou à BBC, referindo-se aos aliados britânicos.

A visita do rei Carlos III aos Estados Unidos ocorre menos de um ano depois de Donald Trump ter sido recebido no Reino Unido com um banquete de Estado no Castelo de Windsor, durante uma deslocação oficial marcada por grande aparato.

Na altura, Trump e Carlos III participaram juntos no jantar de Estado, reforçando publicamente a relação entre as duas nações.

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