Uma turista de 28 anos foi acusada de danificar um dos monumentos mais conhecidos de Florença depois de ter subido à Fonte de Neptuno, na Piazza della Signoria, para tocar nos genitais da estátua, numa alegada brincadeira antes do casamento, relata o ‘The Guardian’.
O episódio terá causado estragos avaliados em 5.000 euros e voltou a expor o problema crescente dos comportamentos irresponsáveis junto do património histórico da cidade italiana.
A mulher, cuja nacionalidade não foi divulgada, foi vista pela polícia quando trepava ao monumento e acabaria por ser rapidamente retirada do local. Às autoridades, explicou que tinha sido desafiada pelos amigos a tocar nos genitais da figura de Neptuno, o deus romano do mar, esculpida em mármore por Bartolomeo Ammannati no século XVI por encomenda de Cosimo I de’ Medici, para assinalar o casamento do filho, Francesco I de’ Medici, com Joana da Áustria.
Após a inspeção técnica, os especialistas da autarquia concluíram que a ação causou danos classificados como menores, mas significativos, tanto nas patas dos cavalos sobre os quais a turista caminhou como numa das partes decorativas em que se apoiou para evitar cair. A mulher foi acusada de danificar um bem artístico e arquitetónico.
O caso está longe de ser inédito. A fonte já tinha sido alvo de incidentes semelhantes no passado, ao ponto de terem sido instaladas câmaras de videovigilância em 2005, depois de outro visitante ter subido à estátua, partido uma das mãos de Neptuno e danificado a carruagem. Em 2023, um turista alemão voltou a provocar estragos ao tentar escalar o monumento para tirar uma selfie, e nesse mesmo verão um jovem casal tentou trepar a uma réplica do David de Miguel Ângelo.
Este tipo de episódios se repete quase todos os verões em Florença, referiu a publicação britânica, apesar do reforço dos controlos em torno dos marcos históricos da cidade. De acordo com responsáveis locais, tornou-se cada vez mais comum que visitantes procurem subir a monumentos como parte de desafios, vídeos ou fotografias para redes sociais, numa relação com o património marcada mais pela superficialidade do que pelo respeito.
A pressão do turismo ajuda a explicar o problema. Florença recebe cerca de 16 milhões de visitantes por ano e é uma das cidades europeias mais afetadas pela sobrecarga turística. Para muitos residentes, a repetição destes episódios reforça a perceção de que uma parte dos visitantes olha para a cidade como um cenário de diversão, esquecendo que está perante obras de elevado valor histórico, artístico e simbólico.





