Numa altura em que o custo de vida continua a pressionar os orçamentos familiares, os portugueses mostram que a cultura permanece uma prioridade. Hoje celebra-se o Dia Mundial do Livro e novos dados indicam um crescimento significativo nos gastos com livros, contrariando a tendência de contenção noutras áreas.
De acordo com um estudo recente realizado pela Dynata para a Revolut, uma parte relevante da população em Portugal está determinada a não abdicar do consumo cultural. Cerca de 10% dos portugueses afirmam que, apesar de planearem reduzir despesas em 2026, não estão dispostos a cortar no orçamento destinado a livros e cultura.
Este comportamento revela uma resiliência significativa num contexto económico desafiante, reforçando a importância da leitura no quotidiano dos consumidores.
Gerações mais velhas lideram prioridade nos livros
Os dados mostram ainda diferenças geracionais marcadas. Ao contrário do que poderia ser esperado num contexto dominado por tendências digitais, são os portugueses mais velhos que mais valorizam o investimento em livros.
Entre os maiores de 65 anos, 16% garantem que irão cortar noutras despesas, mas não na cultura. Já entre os mais jovens, essa prioridade é menos evidente: apenas 12% dos indivíduos entre os 18 e os 24 anos e 6% dos que têm entre 25 e 34 anos demonstram a mesma intenção.
Crescimento nas compras de livros e produtos digitais
Os dados internos da Revolut em Portugal confirmam esta tendência de valorização da leitura. No primeiro trimestre de 2026, o volume de transações relacionadas com livros aumentou 15,23%, enquanto o valor total gasto cresceu 8,69% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O crescimento estende-se também ao universo digital. As despesas com ebooks e outros conteúdos digitais registaram uma subida de 16,48%, acompanhada por um aumento de 10,35% no número de transações.
Livrarias físicas continuam a crescer
Apesar da expansão digital, as livrarias físicas mantêm um desempenho positivo. O número de transações nestes espaços subiu 15,69%, enquanto os gastos aumentaram 7,93%.
Já a categoria de livros, revistas e jornais destacou-se pelo elevado nível de envolvimento dos consumidores, com um crescimento expressivo de 34,42% no número de transações face ao mesmo período de 2025.
Livros como prioridade no orçamento familiar
Para a Revolut, os dados demonstram que os livros continuam a ocupar um lugar central nas prioridades dos portugueses. Segundo Ignacio Zunzunegui, responsável de crescimento para o Sul da Europa, a leitura vai além de um simples consumo, sendo vista como essencial mesmo em tempos de maior prudência financeira.
O responsável destaca ainda o papel de ferramentas de gestão financeira, como funcionalidades que permitem organizar despesas e poupanças, ajudando os consumidores a manter espaço no orçamento para investir em cultura sem comprometer outras necessidades.
Num cenário económico exigente, os números confirmam: em Portugal, o gosto pela leitura continua a resistir — e até a crescer.



