SMS fraudulento custa 7 mil euros a homem de 83 anos e banco considera-o responsável

Um esquema de fraude por SMS, cuidadosamente planeado e executado, levou um homem de 83 anos a perder cerca de 7.000 euros. O caso ocorreu em França e está a gerar polémica devido à recusa dos bancos em assumir os prejuízos.

Patrícia Moura Pinto

Um homem de 83 anos perdeu cerca de 7.000 euros após cair num esquema de burla por SMS altamente sofisticado, num caso que levanta novas preocupações sobre a segurança digital e a proteção dos consumidores mais vulneráveis.

O caso ocorreu a 3 de novembro, por volta das 22h00, quando o idoso, residente em Lanester, França, recebeu uma mensagem a alertar para uma suposta transferência de 880 euros. O SMS incluía um link onde deveria clicar para verificar a operação.

Pouco depois, foi contactado por um alegado especialista em segurança bancária. Na realidade, tratava-se de um burlão que demonstrou um conhecimento detalhado da vida pessoal e financeira da vítima. Segundo o Huffpost, o criminoso sabia inclusive que a esposa do homem estava hospitalizada, tendo chegado ao ponto de ligar diretamente para o quarto onde se encontrava internada para obter códigos bancários.

A chamada prolongou-se durante cerca de uma hora e meia, período durante o qual foram realizadas várias transferências entre contas do casal.

Um esquema cuidadosamente planeado

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O plano não terminou com as transferências. O burlão informou a vítima de que, no dia seguinte, um estafeta iria recolher os cartões bancários, os respetivos códigos PIN e o telemóvel, com o pretexto de bloquear operações fraudulentas.

O homem confiou. Um jovem apareceu à hora combinada e levou todos os objetos. Cerca de uma hora depois, começaram a ser realizados levantamentos em caixas multibanco, pagamentos em plataformas como Airbnb e outras transações não autorizadas.

Quando percebeu o que tinha acontecido, o idoso tentou apresentar queixa às autoridades e contactou os bancos. No entanto, enfrentou uma resposta inesperada: foi considerado responsável pelo sucedido.

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Segundo o Huffpost, as instituições bancárias basearam-se na diretiva europeia DSP2, que permite recusar reembolsos quando se considera que o cliente agiu com negligência, nomeadamente ao introduzir dados pessoais em links não seguros.

A família da vítima contesta esta posição. “Tratam-nos como se a culpa fosse nossa, quando tudo foi concebido para nos enganar”, afirmou a filha, indignada com a falta de empatia demonstrada pelos bancos.

Um alerta para todos, especialmente os mais idosos

O homem, que afirma sempre ter sido prudente ao longo da sua vida profissional, diz não compreender como caiu no esquema. O facto de o burlão possuir informações detalhadas tornou o golpe particularmente convincente.

Este caso evidencia a crescente sofisticação das burlas digitais e o risco acrescido para pessoas idosas, muitas vezes menos familiarizadas com estas ameaças.

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Enquanto aguarda que as autoridades identifiquem o responsável, a vítima mantém a esperança de que haja responsabilização não só do autor do crime, mas também das instituições financeiras envolvidas.

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