A Netflix voltou a subir os preços em Espanha, numa decisão que ganha peso em Portugal por surgir depois de a plataforma já ter mexido nas tarifas no mercado português em 2025. A nova revisão espanhola, avançada pelo ‘El Economista’, reabre assim a questão sobre até onde poderá ir a escalada dos preços no streaming e até que ponto o mercado luso poderá voltar a ser afetado.
A ligação entre os dois países não é despicienda. No primeiro trimestre do ano passado, a empresa aumentou os preços nos Estados Unidos e em Portugal, alargando depois essa revisão a Espanha. Agora, é o mercado espanhol a registar nova subida, numa altura em que as plataformas tentam reforçar receitas e habituar os utilizadores a mensalidades cada vez mais pesadas.
Contactada pela ‘Executive Digest’ sobre o que esta mexida em Espanha pode significar para Portugal, a Netflix Portugal recusou abrir o jogo. A empresa disse apenas que não tem “comentários adicionais a partilhar”, por se tratar de “uma questão específica do mercado espanhol”.
Recorde-se que em Portugal, o aumento aplicado em janeiro de 2025 foi de um euro por mês nos planos mais baratos e de dois euros no mais caro. O plano Base passou de 7,99 para 8,99 euros, o Standard subiu de 11,99 para 12,99 euros e o Premium avançou de 15,99 para 17,99 euros mensais. Ou seja, em termos percentuais, a subida foi de cerca de 12,5% no Base, 8,3% no Standard e 12,5% no Premium.
No país vizinho, o novo preçário já está em vigor para novos clientes e será aplicado aos atuais subscritores no próximo ciclo de faturação. O plano Standard com anúncios passa a custar 8,99 euros por mês, mais dois euros do que até aqui. O plano Standard sobe para 14,99 euros mensais, enquanto o Premium avança de 19,99 para 21,99 euros por mês, ultrapassando pela primeira vez a fasquia dos 20 euros.
Trata-se do segundo aumento em menos de dois anos em Espanha, o que confirma uma trajetória de encarecimento num setor que durante anos se apresentou como alternativa mais acessível à televisão paga tradicional. A lógica parece agora diferente: mais do que conquistar novos subscritores a qualquer custo, o objetivo passa por extrair mais receita de cada cliente.
Mais à frente, o ‘El Economista’ enquadra esta nova revisão num movimento mais vasto, que não se limita à Netflix. Serviços como Spotify, HBO Max, Disney+ e Amazon Prime Video também têm vindo a aumentar os preços, refletindo uma tendência generalizada no universo do entretenimento digital: desde 2015, o custo das assinaturas aumentou 81,7% no país vizinho.
Mesmo sem confirmação de uma nova revisão em Portugal, o histórico recente deixa aberta a possibilidade de novos ajustamentos. Num contexto de custo de vida elevado, o streaming arrisca-se cada vez mais a deixar de ser uma despesa discreta para passar a pesar de forma visível no orçamento mensal das famílias.







