Se está a planear férias de verão longe das multidões, rodeado por montanhas, lagos, florestas densas e paisagens quase intocadas, há um novo ranking que pode servir de guia. A ‘Euronews’ destaca uma lista dos 75 parques nacionais mais bem preservados da Europa, elaborada pelo site britânico de cicloturismo Love Velo.
O estudo avaliou critérios como biodiversidade, número de áreas protegidas e níveis de luz artificial, um indicador cada vez mais relevante para medir o impacto humano sobre a natureza.
No topo surge o Parque Nacional de Rila, na Bulgária. Situado a cerca de 1.400 metros de altitude, destaca-se pelas suas 28 áreas protegidas e pelos famosos Sete Lagos de Rila, bacias glaciares rodeadas por floresta de pinheiros. A região é também procurada por caminhantes e ciclistas devido aos trilhos exigentes em plena montanha.
Em segundo lugar aparece a Serra Nevada, em Espanha, uma das paisagens mais surpreendentes do continente. Em pouco mais de cem quilómetros, é possível passar de picos cobertos de neve a praias do Mediterrâneo. Essa diversidade faz do parque um destino raro para quem procura natureza variada num só local.
O pódio fecha com o Parque Nacional de Triglav, na Eslovénia. A ‘Euronews’ destaca o rio Soča, conhecido pela cor turquesa e pelas atividades de rafting, além dos Alpes Julianos, muito procurados por amantes de caminhadas e aventura.
Espanha volta a surgir em destaque no quarto lugar com Cabañeros, parque situado em Castilla-La Mancha e considerado um dos melhores exemplos de floresta mediterrânica preservada na Europa. O espaço acolhe mais de 220 espécies de aves, incluindo a águia-imperial-ibérica e o abutre-preto.
A fechar o top cinco está Hohe Tauern, na Áustria. É o maior parque nacional dos Alpes e um dos maiores da Europa Central, com mais de 185 mil hectares. O cenário inclui centenas de glaciares, dezenas de montanhas acima dos 3.000 metros e o Grossglockner, o ponto mais alto da Áustria.
Norte da Europa domina em dimensão e céus escuros
Embora não liderem o ranking global, os países nórdicos impressionam pela escala e pela baixa presença humana.
Na Finlândia surgem parques como Urho Kekkonen e Lemmenjoki, ambos com enormes extensões naturais. Já na Suécia aparecem Fulufjället e Abisko, conhecidos pela quase ausência de luz artificial.
Esse detalhe torna-os locais privilegiados para observar estrelas, auroras boreais e uma sensação cada vez mais rara na Europa: verdadeiro isolamento natural.
França e Itália para quem procura altitude
Para quem privilegia montanha e grandes altitudes, França e Itália continuam a ser referências.
A França conta com Vanoise e Écrins, ambos acima dos 2.000 metros de altitude média. Em Itália, destacam-se Gran Paradiso e Stelvio, também entre os parques mais elevados da Europa.
Turismo e clima ameaçam equilíbrio
A ‘Euronews’ sublinha, no entanto, que muitos destes parques enfrentam pressões crescentes causadas pelo excesso de turismo e pelas alterações climáticas.
Perante esse cenário, a União Europeia avançou com a Lei de Restauro da Natureza, em vigor desde agosto de 2024. Trata-se do primeiro regulamento europeu que não exige apenas proteção ambiental, mas também recuperação ativa de ecossistemas degradados.
Os Estados-membros terão agora de apresentar até setembro de 2026 os seus planos concretos de restauração e preservação.
Uma Europa que ainda surpreende
Entre glaciares austríacos, lagos búlgaros, rios eslovenos e montanhas espanholas, o ranking mostra que a Europa ainda guarda vastas zonas onde a natureza continua a mandar.
E para quem procura férias diferentes este verão, longe de praias cheias e cidades saturadas, talvez a melhor viagem esteja precisamente onde o silêncio ainda domina.







