Atenas poderá avançar para novas restrições ao turismo ao ponderar limitar a emissão de licenças para novos hotéis, numa tentativa de travar a pressão crescente sobre a cidade. O alerta foi lançado pelo presidente da câmara da capital grega, Haris Doukas, que deixou uma frase clara: “Não podemos tornar-nos Barcelona.”
A informação foi avançada pela ‘Euronews’, que relata que o autarca levantou a hipótese durante o evento “This is Athens – Agora”, dedicado ao futuro turístico da cidade.
Depois do alojamento local, hotéis entram na mira
Atenas já tinha imposto um travão à emissão de novas licenças de alojamento local em três bairros centrais da cidade. Agora, a discussão alarga-se aos hotéis.
“Precisamos mesmo de perceber se precisamos de mais hotéis, quantos e onde”, afirmou Haris Doukas, citado pela Euronews.
“Temos de pensar quanto turístico adicional conseguimos suportar e em que zonas.”
“Há áreas saturadas”
O autarca sublinhou que algumas zonas da cidade já não conseguem receber mais camas turísticas, independentemente de se tratar de hotéis ou alojamento local.
“Não podemos tornar-nos Barcelona. Há áreas saturadas que não podem receber mais camas”, avisou.
Barcelona tornou-se símbolo europeu do combate ao turismo excessivo, tendo já anunciado o fim do alojamento local até 2028 e bloqueado novas licenças hoteleiras em várias zonas.
Atenas cresce a ritmo acelerado
Segundo os dados mais recentes citados pela ‘Euronews’, a região da Ática soma 68.934 camas hoteleiras, das quais cerca de 35 mil se concentram na zona alargada do centro de Atenas.
O setor admite que o número de hotéis aumentou rapidamente nos últimos anos, levantando dúvidas sobre sustentabilidade urbana e equilíbrio económico.
Além dos hotéis, também cresceram outras formas de alojamento turístico, como quartos para arrendar e apartamentos mobilados.
Cidade mais procurada da Grécia
Atenas tornou-se atualmente o destino turístico mais popular da Grécia.
As chegadas internacionais atingiram 12 milhões em 2025, enquanto o número total de visitantes rondou os 10 milhões, segundo os números citados pela Euronews.
Esse crescimento trouxe receitas, investimento e emprego, mas também pressão sobre habitação, mobilidade e qualidade de vida dos residentes.
“Não precisamos de reinventar a roda”
Evgenios Vassilikos, presidente da Associação Hoteleira de Atenas-Ática-Argosarónico, defendeu planeamento integrado e lembrou que outras cidades europeias já avançaram com limites.
“Não precisamos de reinventar a roda”, afirmou.
Segundo o responsável, Atenas terá de decidir como quer posicionar-se nos próximos 10 a 15 anos e quantas camas turísticas pretende realmente.
O debate que interessa a Portugal
O caso de Atenas junta-se ao de Barcelona, Amesterdão e outras cidades que tentam equilibrar turismo recorde com qualidade de vida.
É um debate cada vez mais relevante também em Portugal, sobretudo em Lisboa, Porto e Algarve, onde a pressão turística e habitacional continua no centro da discussão.
O sinal vindo da Grécia
Depois de limitar o alojamento local, Atenas dá agora um passo mais ousado: questionar se também os hotéis precisam de travão.
Num sul da Europa cada vez mais dependente do turismo, a pergunta começa a ecoar noutras capitais.






