Trump em terreno frágil: só 26% veem presidente como “equilibrado”, indica Reuters/Ipsos

Mesmo dentro do Partido Republicano há divisão: cerca de metade dos apoiantes considera-o moderado, enquanto uma percentagem semelhante discorda.

Patrícia Moura Pinto

A popularidade do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continua em níveis baixos, enquanto cresce a preocupação entre os cidadãos quanto ao seu temperamento e capacidade mental, num contexto marcado pela guerra com o Irão e por um conflito verbal com o Papa Leão.

De acordo com a Reuters, uma sondagem recente realizada pela Ipsos indica que apenas 36% dos americanos aprovam o desempenho de Trump, um valor que se mantém inalterado face ao mês anterior e que representa um dos níveis mais baixos do seu atual mandato.

O inquérito foi realizado após meses de tensão internacional, depois de os Estados Unidos, em conjunto com Israel, terem iniciado uma guerra contra o Irão em fevereiro. Este conflito teve impacto direto no dia a dia dos americanos, nomeadamente através da subida acentuada dos preços dos combustíveis.

Nesta sondagem, apenas 36% dos inquiridos apoiam os ataques militares dos EUA ao Irão, um número praticamente idêntico ao registado em sondagens anteriores. Além disso, só 26% consideram que a ação militar valeu a pena face aos custos envolvidos.

Um dos dados mais marcantes do estudo prende-se com a perceção do temperamento de Trump. Apenas 26% dos americanos consideram o Presidente “equilibrado”. Mesmo dentro do Partido Republicano há divisão: cerca de metade dos apoiantes considera-o moderado, enquanto uma percentagem semelhante discorda.

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As dúvidas não se ficam por aqui. Mais de metade dos inquiridos – 51% – acredita que a capacidade mental de Trump piorou ao longo do último ano. Esta perceção atravessa diferentes sensibilidades políticas, incluindo republicanos, independentes e democratas.

Declarações polémicas agravam críticas

As preocupações intensificaram-se após uma série de declarações controversas feitas por Trump nas últimas semanas. O Presidente ameaçou publicamente destruir infraestruturas críticas do Irão e chegou a referir a possibilidade de “eliminar a civilização” iraniana.

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Além disso, entrou em confronto com o Papa Leão, acusando-o de ser “fraco perante o crime”, depois de o líder da Igreja Católica criticar a guerra. Este episódio contribuiu para aumentar a atenção mediática sobre o comportamento do Presidente.

A sondagem revela ainda que o Papa Leão goza de uma imagem significativamente mais favorável junto dos americanos do que Trump. Cerca de 60% dos inquiridos têm uma opinião positiva sobre o pontífice, enquanto apenas 36% dizem o mesmo do Presidente.

Apesar das ameaças de Trump de retirar os Estados Unidos da NATO, a ideia não reúne consenso. Apenas 16% dos americanos apoiam essa possibilidade, demonstrando resistência a uma mudança significativa na política externa do país.

A gestão do custo de vida é outro ponto crítico para a administração Trump. Apenas 26% dos inquiridos aprovam a forma como o Presidente tem lidado com esta questão, um dos piores resultados registados neste mandato.

No geral, os dados apontam para um cenário de crescente desconfiança entre os americanos, tanto em relação às decisões políticas como à postura pessoal do Presidente, num momento particularmente delicado a nível interno e internacional.

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