Mundo enfrenta “a pior crise energética da história”, alerta Agência Internacional de Energia

O mundo está a atravessar a mais grave crise energética alguma vez registada, na sequência da escalada militar envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão. O alerta foi lançado pelo diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), que presta aconselhamento a 32 países membros em matérias de abastecimento e segurança energética.

Pedro Zagacho Gonçalves

O mundo está a atravessar a mais grave crise energética alguma vez registada, na sequência da escalada militar envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão. O alerta foi lançado pelo diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), que presta aconselhamento a 32 países membros em matérias de abastecimento e segurança energética.

Numa entrevista transmitida esta terça-feira pela rádio France Inter, Fatih Birol foi categórico: “Esta é, de facto, a maior crise da história”. O responsável acrescentou que “a crise já é enorme, se juntarmos os efeitos da crise do petróleo e da crise do gás com a Rússia”.

A atual turbulência energética intensificou-se após os ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão no final de fevereiro. Em resposta, Teerão avançou com o encerramento efetivo do Estreito de Ormuz, permitindo apenas a passagem de um número limitado de embarcações provenientes de países considerados “amigos”, como a China, a Malásia e o Paquistão.

O estreito é uma das principais artérias do comércio energético global. Por ali transita normalmente cerca de 20% do petróleo mundial e do gás natural liquefeito. O bloqueio, aliado aos danos registados em infraestruturas energéticas da região, desencadeou aquela que a AIE classifica como a maior disrupção da história do mercado petrolífero global.

Segundo Fatih Birol, a recuperação da produção de energia perdida no Médio Oriente devido ao conflito poderá demorar cerca de dois anos, prolongando os efeitos da crise nos mercados internacionais.

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O impacto do bloqueio e da instabilidade regional fez disparar os preços globais da energia, alimentando receios de uma recessão à escala mundial. Diversos países já avançaram com medidas de emergência, incluindo o racionamento de combustíveis e restrições ao consumo de eletricidade, numa tentativa de mitigar os efeitos da escassez.

Entretanto, os Estados Unidos mantêm o bloqueio do Estreito de Ormuz, depois de terem apreendido, no domingo, um navio cargueiro de bandeira iraniana. Esta decisão prolonga o impasse e intensifica o sofrimento económico global, com especial impacto nos países mais pobres, fortemente dependentes da importação de energia.

A combinação de conflito militar, estrangulamento de rotas estratégicas e perturbações prolongadas na produção coloca o sistema energético internacional sob uma pressão sem precedentes, num cenário que a própria Agência Internacional de Energia não hesita em classificar como histórico.

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