Limitar o aquecimento a 1.°C pouparia metade dos sítios mais ameaçados da UNESCO

A UNESCO defende que metade dos seus sítios mais ameaçados, incluindo florestas, glaciares e ilhas, poderão ser salvos de danos irreversíveis se a comunidade internacional conseguir impedir que o aquecimento global ultrapasse 1.°C até 2050.

Executive Digest com Lusa

A UNESCO defende que metade dos seus sítios mais ameaçados, incluindo florestas, glaciares e ilhas, poderão ser salvos de danos irreversíveis se a comunidade internacional conseguir impedir que o aquecimento global ultrapasse 1.°C até 2050.

O relatório “Comunidades e Natureza em Sítios da UNESCO: Contribuições Locais e Globais”, publicado hoje, analisa, pela primeira vez, todas as categorias de sítios protegidos pela UNESCO: Sítios do Património Mundial, Reservas da Biosfera e Geoparques Globais.

Estes sítios abrangem mais de 13 milhões de quilómetros quadrados distribuídos por 2.260 áreas, uma área maior do que a China e a Índia juntas.

Segundo os autores do relatório, “uma diferença mínima de temperatura pode levar a um aumento incrível dos riscos”, aludindo a uma eventual subida da temperatura global em mais de 1.°C até 2050.

“Limitar as emissões de gases com efeito de estufa é agora crucial. Por cada grau que evitemos, poderíamos reduzir para metade o número de sítios que ultrapassam os pontos de inflexão críticos”, disse Martin Delaroche, especialista ambiental da UNESCO.

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Atualmente, um em cada quatro sítios Património Mundial da UNESCO pode atingir pontos de inflexão (que ocorrem quando os danos se tornam irreversíveis) e sofrer alterações significativas já em 2050.

Se estas alterações ocorrerem, estima-se que, até 2050, “os glaciares terão desaparecido completamente num terço dos sítios da UNESCO que os albergam”, incluindo todos os três glaciares do continente africano (Monte Quénia, Monte Kilimanjaro e Montanhas Rwenzori).

Além disso, segundo Delaroche, o aquecimento das águas provocará “branqueamentos de corais em grande escala” — o que poderá levar a uma redução desta espécie marinha crucial — bem como “stress hídrico crónico” que alteraria as funções das florestas.

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Quase 900 milhões de pessoas vivem atualmente em áreas protegidas, representando 10% da população mundial, estando documentadas mais de 1.000 línguas.

Esta riqueza cultural deve-se ao facto de 25% dos sítios da UNESCO incluírem territórios de povos indígenas, número que chega a quase 50% em África, nas Caraíbas e na América Latina.

Tales Carvalho Resende, coautor do relatório, destacou o papel dos povos indígenas na preservação do património e afirmou que os sítios designados pela UNESCO são “exemplos muito poderosos de resiliência”.

“Podemos ver isto em locais como o Grande Canal da China, que reflete séculos de engenho humano ligando rios e moldando paisagens inteiras para sustentar sociedades e economias (…). Outro exemplo é o Vale de Tehuacán-Cuicatlán, no México, onde as comunidades ainda utilizam sistemas agrícolas desenvolvidos há milhares de anos”, observou o especialista em património da UNESCO.

O relatório alerta que 98% dos sítios designados já sofreram pelo menos um risco relacionado com o clima desde 2000. Ao mesmo tempo, o número de sítios afetados por estes riscos — como secas, inundações, branqueamento de corais e incêndios — aumentou 40% na última década.

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Entre as espécies emblemáticas preservadas pelos sítios designados pela UNESCO, destaca-se a proteção de até um terço dos elefantes, tigres e pandas restantes no mundo, bem como de pelo menos um em cada 10 grandes símios, girafas, leões, dugongos e rinocerontes.

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