A transição entre o arranque do ano e o primeiro trimestre de 2026 revela um ajuste pragmático do sector empresarial, marcado pela passagem de uma postura optimista para uma estratégia focada na eficiência operacional. No 46.º Barómetro da Executive Digest (Fevereiro), as perspectivas para 2026 eram marcadamente positivas e optimistas, com 88% das empresas a preverem crescimento no seu sector. No entanto, os dados do 47.º Barómetro (Abril) mostram que a realidade do primeiro trimestre trouxe desafios, com 33% das organizações a admitirem um desempenho abaixo das metas inicialmente traçadas, embora a maioria (56%) se mantenha alinhada com as expectativas.
Este cenário reflectiu-se directamente nos planos de investimento e nas prioridades estratégicas. Se no anterior inquérito existia uma forte intenção de expansão, com 56% das empresas a planearem aumentar o investimento, o 47.º Barómetro indica um recuo para a prudência, com a maioria das empresas (53%) a optar agora pela manutenção do investimento e apenas 39% a manterem a intenção de o aumentar face a 2025. Da mesma forma, a prioridade estratégica para o resto do ano de 2026 passou a ser a “Eficiência operacional e redução de custos” (39%), superando a “Expansão de mercado” (33%) e a “Digitalização e implementação de IA” (22%). É importante referir que, no final de 2025, o entusiasmo com a Inteligência Artificial era elevado, com 70% das empresas a planearem investir mais ou continuar a investir fortemente nesta tecnologia.
No que toca à relação com o Estado, a percepção de um peso excessivo na economia continua a ser um aspecto negativo, embora com uma ligeira variação na intensidade: no 46.º Barómetro, 78% dos gestores consideravam o peso do Estado elevado ou excessivo, comparando com os 69% registados agora (36% elevado e 33% excessivo). As reformas propostas pelo Governo no final de 2025 tinham uma aceitação de 72%, e o inquérito de Abril confirma esta tendência positiva em áreas específicas, Irão, que afecta 86% das empresas (78% preocupadas com impacto moderado e 8% muito preocupadas com impacto crítico). Esta instabilidade gera uma forte pressão nos custos, com 75% das organizações a anteciparem um aumento global de custos superior a 5%. Os sectores identificados como mais vulneráveis a este impacto são a Energia e Combustíveis (92%), a Logística e Transportes Internacionais (69%) e os Bens de Consumo e Alimentares (42%).
No plano interno, a capacidade de resposta nacional e a eficácia dos planos de recuperação para mitigar os impactos das tempestades que afectaram Portugal nos primeiros meses do ano são avaliadas com cepticismo pelos gestores.
A maioria dos inquiridos (44%) classifica a resposta como apenas “Moderada”, enquanto 22% a consideram “Insuficiente”. Em contraste, apenas uma minoria avalia a actuação de forma favorável: 31% descrevem-na como “Positiva” e apenas 3% como “Muito Positiva”. Estes resultados evidenciam que, para o tecido empresarial, existe uma necessidade clara de reforçar a resiliência e de melhorar a eficácia das medidas de mitigação perante fenómenos climáticos extremos.
A conclusão final do 47.º Barómetro revela um ajuste pragmático e cauteloso das empresas portuguesas, que transitaram de um optimismo expansionista no planeamento para uma estratégia de resiliência e eficiência operacional na execução do ano de 2026. Esta mudança assenta em três pilares fundamentais: o choque entre expectativa e realidade, a reorientação de prioridades e a exigência de reformas e a necessidade de reforçar a resiliência. Embora as empresas mantenham uma visão positiva sobre reformas específicas, como a laboral (com 72% de aprovação), existe uma fadiga crescente relativamente ao peso do Estado e à sua capacidade de resposta a crises.


Este Barómetro conta também com a análise dos especialistas:
– Vítor Ribeirinho, CEO / Senior Partner da KPMG Portugal
– Luís Ribeiro, Administrador do novobanco
– Teresa Brantuas, CEO da Allianz Portugal
– Raul Neto, CEO da Randstad Portugal
– Luís Lopes, CEO da Vodafone Portugal
– Carla Marques, CEO da Intelcia Portugal
– Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati
– Vasco Antunes Pereira, Presidente do conselho de administração e CEO do Grupo Lusíadas Saúde
Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 241 de Abril de 2026









