A análise de Carla Marques, CEO, Intelcia Portugal
Os dados mostram empresas conscientes da pressão que o actual contexto económico e geopolítico está a gerar, mas ainda pouco consequentes na forma como lhe respondem. Se, por um lado, 78% antecipam impactos relevantes, nomeadamente ao nível dos custos de energia e logística, por outro, a maioria mantém ou até reforça o investimento. Isto revela ambição, mas também evidencia que a transformação estrutural continua, em muitos casos, por concretizar. Quando analisamos as prioridades das organizações, a eficiência operacional surge em primeiro lugar, mas apenas uma minoria coloca a digitalização e a inteligência artificial no centro da estratégia, e menos ainda a encara como uma reforma estrutural. Há aqui um desalinhamento claro entre o que se reconhece como necessário e aquilo que efectivamente se está a fazer. Ao mesmo tempo, persiste um foco significativo em factores externos, como a carga fiscal ou a desburocratização. São temas relevantes, mas não podem servir de justificação para adiar mudanças internas que são hoje inadiáveis. O verdadeiro desafio está dentro das organizações. Está na capacidade de repensar modelos operacionais, integrar tecnologia, reforçar competências e ganhar agilidade. Num contexto como o actual, não basta reagir à pressão, é essencial transformá-la em capacidade de adaptação, diferenciação e crescimento sustentável.
Testemunho publicado na edição de Abril (nº. 241) da Executive Digest, no âmbito da XLVII edição do seu Barómetro.



