O chanceler alemão Friedrich Merz anunciou que irá convocar “com urgência” o Conselho de Segurança Nacional da Alemanha para avaliar o risco de escassez de combustível para aviação, numa altura em que a guerra no Irão continua a pressionar os mercados energéticos globais.
De acordo com o POLITICO, a decisão surge num contexto de forte subida dos preços do jet fuel na Europa, que mais do que duplicaram desde o início do conflito, desencadeado a 28 de fevereiro após ações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.
A resposta de Teerão incluiu o bloqueio de grande parte do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, um ponto estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. Esta situação está a criar perturbações significativas no abastecimento global de combustíveis.
Apesar de reconhecer que o cenário atual é “tenso”, Friedrich Merz garantiu que a Alemanha ainda dispõe de acesso suficiente a combustíveis essenciais, incluindo gasóleo, gasolina e combustível para aviação. Ainda assim, deixou claro que o governo está preparado para agir rapidamente caso a situação se agrave, assegurando que serão utilizados “todos os instrumentos disponíveis” para garantir o abastecimento.
O Conselho de Segurança Nacional alemão, criado no ano passado para coordenar respostas rápidas a ameaças relevantes, deverá agora desempenhar um papel central na gestão desta possível crise. A convocação deste órgão indica que Berlim considera o risco de escassez como um problema potencialmente sério.
Na mesma linha, a ministra da Economia, Katherina Reiche, já apresentou planos de contingência e tem reuniões agendadas com fornecedores de combustível, companhias aéreas e operadores aeroportuários.
União Europeia tenta acalmar receios
Enquanto a Alemanha se prepara para um eventual agravamento da situação, a Comissão Europeia tem procurado minimizar os receios. O comissário europeu dos Transportes, Apostolos Tzitzikostas, afirmou recentemente que não existem indicações de escassez de combustível para aviação.
Ainda assim, algumas companhias aéreas, como KLM e Lufthansa, já começaram a reduzir voos devido ao aumento acentuado dos preços.
Especialistas do setor alertam que, mesmo que o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz volte à normalidade, os preços deverão manter-se elevados durante algum tempo. Willie Walsh, diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo, estima que poderão ser necessários vários meses até que o abastecimento regresse a níveis normais.
Este cenário reforça a pressão sobre governos e empresas, num momento em que a estabilidade energética volta a estar no centro das preocupações europeias.





