Novo Orbán nos Balcãs? Vitória de Radev abre mais uma frente pró-russa dentro da União Europeia

Quem é Rumen Radev e porque é que a sua vitória importa? O antigo presidente búlgaro regressou à linha da frente política ao vencer as eleições legislativas, abrindo um novo capítulo num país marcado por instabilidade política e levantando dúvidas sobre o futuro das relações com a Rússia e o apoio à Ucrânia.

Patrícia Moura Pinto

A Bulgária voltou às urnas e o resultado confirma uma viragem política significativa. O partido Progressista Bulgária, liderado pelo antigo presidente Rumen Radev, venceu as eleições legislativas de 19 de abril, num contexto de forte instabilidade política que já levou o país a realizar oito eleições em apenas cinco anos.

De acordo com o Euromaidan Press, os resultados ainda estavam a ser contabilizados quando surgiram as primeiras projeções, mas tudo indicava uma vitória clara da nova força política. Dados da Comissão Eleitoral Central apontavam para cerca de 44,7% dos votos com mais de 90% das mesas apuradas, enquanto outras sondagens colocavam o partido nos 38,1%.

A ascensão de Radev levanta questões sobre o posicionamento da Bulgária no contexto europeu, sobretudo em relação à guerra na Ucrânia. Segundo o Euromaidan Press, o antigo presidente tem criticado tanto o envio de ajuda militar a Kyiv como as sanções impostas à Rússia, defendendo uma abordagem mais pragmática.

Radev chegou a afirmar anteriormente que uma vitória ucraniana seria impossível e que a continuação do conflito está a ser paga por toda a Europa. Durante a campanha, reforçou a necessidade de manter “relações práticas com a Rússia”, baseadas no respeito mútuo.

Ainda assim, o líder garantiu que a Bulgária continuará no seu “caminho europeu”, defendendo uma Europa mais pragmática e menos centrada em ambições morais.

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Comparações com Orbán – mas com diferenças

O discurso de Radev levou a comparações com o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, conhecido pelas suas posições críticas face à União Europeia e ao apoio à Ucrânia. No entanto, analistas citados pela BBC consideram que o futuro governo búlgaro poderá seguir uma linha mais próxima da adotada pelo eslovaco Robert Fico: crítico, mas sem bloquear totalmente o apoio europeu a Kyiv.

Na prática, isso poderá traduzir-se na continuidade da produção e exportação de armamento através de canais indiretos, evitando transferências diretas de equipamento militar.

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O cenário político mantém-se altamente fragmentado. A coligação GERB-SDS, liderada pelo antigo primeiro-ministro Boyko Borisov, ficou em segundo lugar com cerca de 13%, seguida pela coligação pró-europeia “Continuamos a Mudança-Bulgária Democrática”.

Radev já afirmou estar disponível para negociar com diferentes forças políticas para garantir estabilidade governativa e evitar novas eleições, que classificou como “catastróficas” para o país.

Crise política prolongada na origem das eleições

Estas eleições antecipadas surgem na sequência de uma crise política profunda. Em dezembro de 2025, protestos em massa contra a corrupção, o aumento de impostos e a degradação do Estado de direito levaram à queda do governo.

O próprio Radev, ainda enquanto presidente, apoiou essas manifestações, posicionando-se como alternativa ao sistema político tradicional.

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Apesar das críticas ao apoio militar direto à Ucrânia, a Bulgária tem desempenhado um papel relevante na produção de armamento. O país tem fornecido munições através de terceiros e reforçado a sua indústria de defesa.

Um dos exemplos é a parceria com a empresa alemã Rheinmetall, que prevê um investimento de mil milhões de euros na produção de munições de artilharia. O próprio Radev destacou o papel da Bulgária como parte do “ecossistema europeu de defesa”.

O que se segue?

Com a vitória eleitoral assegurada, o foco passa agora para as negociações políticas. A formação de governo dependerá da capacidade de Radev em construir alianças, num parlamento dividido.

Ao mesmo tempo, a União Europeia estará atenta aos próximos passos da Bulgária, num momento em que o posicionamento dos Estados-membros em relação à guerra na Ucrânia continua a ser determinante para o futuro do bloco.

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