Gastos com Defesa são um íman para criminosos, alerta chefe antifraude da UE

Quanto mais dinheiro entra na defesa europeia, maior é o interesse dos criminosos. O aviso vem de Bruxelas, onde a agência antifraude alerta para um aumento de irregularidades ligadas a contratos e projetos financiados pela União Europeia.

Patrícia Moura Pinto

O aumento significativo da despesa em defesa na Europa está a funcionar como um verdadeiro “íman” para atividades criminosas. O alerta foi dado pelo diretor da agência antifraude da União Europeia, que sublinha que quanto maior for o investimento, maior será também a tentação para práticas ilícitas.

De acordo com o Financial Times, Petr Klement, que assumiu recentemente a liderança do organismo europeu de combate à fraude, considera inevitável este fenómeno. O responsável afirmou que o principal fator de atração para os criminosos é o próprio volume de dinheiro disponível.

A agência antifraude europeia tem registado um aumento no número de denúncias relacionadas com irregularidades na área da defesa, sobretudo em projetos de investigação e processos de contratação pública.

Este crescimento surge num contexto em que os Estados-membros têm vindo a canalizar cada vez mais fundos europeus para o setor militar, especialmente desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia. Entre os instrumentos financeiros estão programas para aquisição de munições, empréstimos para defesa e iniciativas de apoio à indústria.

No último ano, a agência recomendou a recuperação de 597 milhões de euros associados a fraudes ou irregularidades e conseguiu evitar o uso indevido de mais 18,1 milhões de euros. Ao longo da última década, as investigações permitiram recuperar cerca de 6,8 mil milhões de euros.

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Ainda assim, os riscos continuam elevados. Entre os principais problemas identificados estão manipulação de concursos públicos, inflação artificial de preços, clientelismo e corrupção.

Fragilidades nos sistemas nacionais

A eficácia do combate à fraude varia entre países, sendo mais vulneráveis aqueles com sistemas de controlo mais fracos. O responsável europeu destaca que esta realidade não é nova, mas tende a agravar-se com o aumento do financiamento.

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A articulação entre a agência antifraude e o Ministério Público Europeu é vista como essencial para melhorar os resultados. Enquanto a agência investiga, cabe às autoridades nacionais ou europeias avançar com processos judiciais, o que nem sempre acontece de forma eficaz.

Um dos exemplos apontados é o caso da Hungria, que tem tido dificuldades em recuperar fundos sinalizados. No entanto, mudanças políticas recentes podem alterar este cenário, com a intenção do país de aderir ao Ministério Público Europeu.

Segundo o responsável europeu, esta decisão poderá representar um passo importante para reforçar a cooperação e garantir uma resposta mais eficaz às irregularidades.

Um desafio crescente para a União Europeia

O aumento do investimento em defesa é visto como necessário no atual contexto geopolítico, mas traz consigo novos desafios. Como sublinha o diretor da agência antifraude, a oportunidade de desviar fundos públicos continuará a atrair quem procura tirar partido dessas fragilidades.

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Num momento em que a União Europeia prepara um novo orçamento de grande dimensão, o reforço dos mecanismos de controlo será determinante para proteger o dinheiro dos contribuintes e garantir transparência no uso dos recursos públicos.

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