Entraram no top 10 feminino de uma maratona — mas eram homens

O caso aconteceu na Two Oceans Marathon, disputada na Cidade do Cabo a 12 de abril

Francisco Laranjeira

Dois homens foram desclassificados de uma das mais emblemáticas maratonas da África do Sul depois de terem terminado no top 10 da corrida feminina, num caso de fraude que acabou por ofuscar o desempenho das atletas que competiram de forma legítima.

O caso aconteceu na Two Oceans Marathon, disputada na Cidade do Cabo a 12 de abril. A prova, uma das mais icónicas do país, inclui uma ultramaratona de 56 quilómetros e uma meia maratona de 21,1 quilómetros, reunindo mais de 16 mil participantes.

Segundo a ‘Associated Press’, Luke Jacobs e Nic Bradfield cruzaram a meta em sétimo e décimo lugares da corrida feminina. A fraude foi detetada depois de um membro da organização descobrir que ambos tinham corrido com dorsais atribuídos a mulheres inscritas na prova.

Com isso, duas atletas que inicialmente tinham ficado fora do top 10 acabaram por ser posteriormente reconhecidas pelas classificações que realmente lhes pertenciam.

Fotografias nas redes sociais ajudaram a destapar fraude

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Um dos primeiros sinais de irregularidade surgiu quando Jacobs publicou fotografias da corrida nas redes sociais. Várias pessoas repararam que o dorsal que usava exibia o nome “Larissa”.

A investigação levou a organização a concluir que o atleta tinha competido com o dorsal atribuído a Larissa Parekh, inscrita na corrida feminina.

Mais tarde, os responsáveis descobriram também que Bradfield correra com um número pertencente a Tegan Garvey, que admitiu ter cedido o dorsal a um amigo depois de sofrer um problema na anca antes da prova.

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Tecnologia moderna acabou por trair esquema

A fraude não foi identificada apenas pelas imagens. Os chips eletrónicos incorporados nos dorsais mostraram que duas outras mulheres também tinham cruzado a meta entre as dez primeiras, embora não tivessem sido vistas pelos oficiais nesse momento.

Essa discrepância ajudou a desmontar o esquema e levou à desclassificação dos dois homens.

Segundo Stuart Mann, membro da direção da maratona que ajudou a detetar o caso, tanto Jacobs como Bradfield vão agora enfrentar processos disciplinares.

Organização fala em prática antiética e perigosa

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A troca de dorsais entre participantes tem-se tornado mais frequente, mas continua a ser considerada uma violação grave das regras.

Além de ser antiética, a organização sublinha que esta prática pode criar riscos médicos sérios em caso de emergência, já que os dados associados ao dorsal podem não corresponder à pessoa que está efetivamente a correr.

Stuart Mann explicou ainda que este tipo de fraude pode ter diferentes motivações, desde evitar perder dinheiro quando alguém já não consegue correr até tentar obter tempos melhores para futuras qualificações.

Pedidos de desculpa e castigos em marcha

Luke Jacobs admitiu o erro numa declaração escrita. “Cometi um erro de julgamento e não pensei nas consequências. Não devia ter participado”, afirmou.

Já Tegan Garvey justificou a cedência do dorsal dizendo que, no dia anterior à corrida, a anca cedeu completamente, deixando-a incapaz até de caminhar.

Segundo a ‘Associated Press’, Larissa Parekh não apresentou uma explicação clara para o sucedido. As duas mulheres envolvidas pediram desculpa e enfrentam uma suspensão de dois anos da Two Oceans Marathon.

O episódio deixou uma das corridas mais prestigiadas da África do Sul marcada por um caso que levantou dúvidas sobre justiça competitiva, controlo e integridade no atletismo.

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