O Departamento de Defesa dos Estados Unidos lançou um aviso claro aos aliados europeus: o apoio militar à Ucrânia não pode continuar a depender, de forma significativa, das contribuições americanas. A mensagem reforça a pressão sobre a Europa para assumir um papel mais central na defesa do continente e no apoio a Kiev.
De acordo com o ‘POLITICO’, Elbridge Colby, responsável máximo pela política do Pentágono, afirmou numa reunião do Grupo de Contacto para a Defesa da Ucrânia, em Berlim, que o modelo atual – baseado no recurso a reservas militares dos Estados Unidos – “já não é sustentável”.
O responsável foi direto: a Europa deve acelerar a sua responsabilidade na defesa convencional do continente. Mais do que uma opção política, trata-se, segundo afirmou, de uma “necessidade estratégica”.
Colby sublinhou que a continuação do apoio a Kiev não deve depender de contribuições significativas dos Estados Unidos, apelando aos aliados europeus para aumentarem o financiamento e a produção de armamento.
Apoio dos EUA caiu drasticamente
A mudança de estratégia surge num contexto de forte redução da ajuda americana. Em 2025, o apoio militar dos Estados Unidos à Ucrânia caiu 99%, de acordo com dados do Kiel Support Tracker.
Apesar desta quebra, o impacto global foi parcialmente compensado pela resposta europeia. Os países europeus aumentaram significativamente o apoio financeiro, humanitário e militar, mantendo o nível total de ajuda próximo dos anos anteriores.
Ainda assim, a administração liderada por Donald Trump tem adotado uma posição clara: os Estados Unidos deixaram de financiar diretamente o envio de armas, estando apenas disponíveis para vender equipamento militar à Ucrânia, desde que financiado por aliados, no âmbito de programas liderados pela NATO.
Europa aumenta compromissos, mas desafios persistem
Nos últimos dias, vários países europeus anunciaram novos pacotes de apoio à Ucrânia, com destaque para investimentos em drones, sistemas de defesa aérea e capacidades de ataque de longo alcance.
A Alemanha comprometeu-se a financiar mísseis Patriot produzidos internamente, bem como sistemas de defesa aérea IRIS-T e drones de longo alcance fabricados na Ucrânia. O Reino Unido anunciou o envio de 120 mil drones, enquanto os Países Baixos reservaram centenas de milhões de euros para reforçar estas capacidades. Bélgica e Espanha também avançaram com novos financiamentos, focados em artilharia, defesa aérea e apoio a caças.
Apesar deste reforço, persistem dificuldades significativas. A Ucrânia continua a enfrentar escassez de sistemas de defesa aérea, essenciais para neutralizar mísseis balísticos russos, sendo que a capacidade de produção atual não acompanha a procura.
Reforço industrial europeu é essencial
Colby alertou ainda para a necessidade de reforçar a base industrial de defesa europeia, considerando que só assim será possível garantir um apoio sustentável à Ucrânia e à segurança do continente.
A pressão sobre os recursos militares dos Estados Unidos também está a aumentar devido a outros conflitos, nomeadamente a guerra contra o Irão, envolvendo Washington e Israel, o que reforça a necessidade de redefinir prioridades estratégicas.
O responsável norte-americano concluiu que os aliados europeus terão de assumir um papel mais robusto e duradouro, garantindo que a defesa da Europa e o apoio à Ucrânia assentam numa base sólida e sustentável a longo prazo.



