EDP vê tempestades a empurrar produção renovável para máximos e a puxar preços da luz para mínimos

A EDP iniciou 2026 com um desempenho operacional robusto, impulsionado sobretudo pela produção de energia renovável e por condições meteorológicas particularmente favoráveis.

André Manuel Mendes

A EDP iniciou 2026 com um desempenho operacional robusto, impulsionado sobretudo pela produção de energia renovável e por condições meteorológicas particularmente favoráveis.

De acordo com os dados comunicados pela energética à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), no primeiro trimestre do ano, a produção total cresceu 4% para 19 TWh, com as energias renováveis a representarem já 91% do total.

O destaque vai para a produção hídrica na Península Ibérica, que atingiu 4,3 TWh, ficando 0,9 TWh acima do esperado. Este desempenho foi sustentado por níveis de precipitação significativamente elevados, com os recursos hídricos a situarem-se 52% acima da média histórica. Em conjunto com o reforço da produção eólica, este cenário contribuiu para uma queda expressiva de 48% no preço médio da eletricidade na região, que passou de 85,3 €/MWh no primeiro trimestre de 2025 para 44,2 €/MWh no mesmo período deste ano. Em fevereiro, o preço chegou mesmo a um mínimo temporário de 16,4 €/MWh, refletindo o excesso de produção associado à elevada pluviosidade.

Os níveis de armazenamento acompanharam esta tendência, com as barragens a registarem uma taxa de enchimento de 94% no final de março — o valor mais elevado dos últimos dez anos para esta altura do ano. Este fator deverá continuar a suportar o desempenho da área de geração flexível nos próximos trimestres.

Apesar da forte aposta nas renováveis, a produção térmica também registou um aumento homólogo de 4%, com destaque para a produção a gás em Portugal, que subiu 38%. Este crescimento foi motivado por uma maior procura de serviços de sistema e energia flexível, num contexto de perturbações temporárias nas interligações elétricas durante fevereiro e março, devido a tempestades.

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Ao nível do investimento, a empresa reforçou a sua capacidade instalada em 2,1 GW nos últimos 12 meses, dos quais 2,0 GW através da EDPR. A capacidade eólica e solar total atingiu 21,2 GW no primeiro trimestre, um aumento de 6% face ao ano anterior. Em paralelo, a capacidade em construção situava-se em 1,9 GW em março, com mais de 90% dos 1,5 GW previstos para 2026 já instalados ou em fase de desenvolvimento.

No mercado comercial, a EDP manteve uma base sólida de clientes em Portugal, com 3,43 milhões de contratos no mercado liberalizado, refletindo estabilidade face ao final de 2025. Ainda assim, o volume de eletricidade comercializada cresceu 8% em termos homólogos, impulsionado por um maior consumo médio.

Na distribuição, a evolução foi moderada. Na Península Ibérica, a eletricidade distribuída aumentou 1,1%, com Portugal a registar uma subida de 2,5%, suportada pelo crescimento dos veículos elétricos, aumento do número de clientes e maior consumo médio. Em contrapartida, Espanha registou uma quebra de 4%, influenciada pela paragem temporária de um grande cliente industrial. No Brasil, o crescimento foi de 0,8%, refletindo uma normalização após um período anterior de forte expansão.

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Por fim, a empresa continua a acelerar a transição energética, com um aumento de 13% nos pontos de ligação ativos associados a novas soluções energéticas na Península Ibérica, nomeadamente projetos de energias renováveis, comunidades de autoconsumo e mobilidade elétrica.

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