Extrema-direita volta a entrar num governo em Espanha, na Extremadura

A extrema-direita vai voltar a integrar um governo em Espanha, o da região da Extremadura, na sequência de um acordo entre o Partido Popular (PP) e o Vox.

Executive Digest com Lusa

A extrema-direita vai voltar a integrar um governo em Espanha, o da região da Extremadura, na sequência de um acordo entre o Partido Popular (PP) e o Vox.


O PP, de direita, venceu as eleições autonómicas na Extremadura de 21 de dezembro, mas sem maioria absoluta e, após quase quatro meses de negociações com o Vox, de extrema-direita, os dois partidos anunciaram na quinta-feira à noite um acordo para uma coligação de governo.


O Vox terá a vice-presidência do executivo, além das pastas da Família e da Agricultura e regressará assim a um governo em Espanha.


Entre 2022 e 2024, o Vox integrou cinco governos regionais, em coligações lideradas pelo PP (Castela e Leão, Aragão, Comunidade Valenciana, Múrcia e Extremadura).


Por desentendimentos entre as direções nacionais dos dois partidos por causa do acolhimento de menores imigrantes que chegam sozinhos a Espanha em ‘pateras’ (embarcações precárias), sem estarem acompanhados por um adulto, o Vox rompeu todas as coligações com o PP em julho de 2024 e saiu de todos os governos autonómicos.

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O acordo anunciado na quinta-feira marca assim o regresso do Vox a um governo em Espanha, estando o partido a negociar coligações com o PP em mais duas regiões – Aragão e Castela e Leão.


Tal como na Extremadura, o PP venceu as eleições regionais de fevereiro em Aragão e de março em Castela e Leão, mas sem conseguir maioria absoluta.


Espanha iniciou um novo ciclo eleitoral com estas três eleições regionais, a que se seguem outras na Andaluzia, em 17 de maio; eleições municipais e regionais na maioria das comunidades autónomas em maio de 2027 e, por fim, legislativas nacionais no mesmo ano, entre julho e novembro.

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Na Extremadura, Aragão e Castela e Leão, a par da vitória da direita e do crescimento da extrema-direita, o Partido Socialista Espanhol (PSOE), do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, teve derrotas, em alguns casos, consideradas históricas.


Foi o que aocnteceu na Extremadura, onde os socialistas tiveram o pior resultado de sempre e a extrema-direita (o Vox) duplicou votos numa região considerada um feudo do PSOE, que o partido governou em nove das 11 legislaturas autonómicas (sete delas com maioria absoluta) e em que só numas das eleições (as de 2011) não tinha sido o mais votado.


As eleições na Extremadura coincidiram com um momento de crise e fragilidade do PSOE e de Pedro Sánchez, com dirigentes do partido e pessoas próximas do primeiro-ministro envolvidos em suspeitas de corrupção e outros casos judiciais.


Um destes casos tem epicentro, precisamente, na Extremadura e como protagonista o candidato do PSOE nas eleições, Miguel Ángel Gallardo, que vai ser julgado em maio com o irmão do primeiro-ministro, David Sánchez, por tráfico de influências.


Com o acordo de quinta-feira, o governo da Extremadura, região no sudoeste de Espanha, na fronteira com Portugal (com a Beira Interior e o Alentejo), voltará a ser presidido por Maria Guardiola, do PP, que convocou eleições antecipadas para dezembro depois de ter visto chumbados os orçamentos para 2026 que enviou ao parlamento regional.

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Guardiola, que se recandidatou, está à frente da Junta da Extremadura desde o verão de 2023 e chegou, antes do primeiro mandato, a rejeitar a possibilidade de acordos com o Vox, por ser um partido “que nega a violência machista”, que “desumaniza os imigrantes” e que “deita para o lixo a bandeira LGBTI (pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, intersexuais)”.


Acabaria por negociar com o Vox por pressão da direção nacional do PP e anunciou agora um novo entendimento com o partido de extrema-direita, que voltou a criticar na campanha de dezembro.


PP e Vox “aproximaram posições para além das diferenças ideológicas que possam existir”, disse Guardiola na quinta-feira à noite, considerando que o novo acordo entre os dois partidos “demonstra que ganha a democracia face à crispação, que ganha o diálogo face ao ruído”.


Já o líder do Vox, Santiago Abascal, disse que o partido vai assumir “a desregulação” na Extremadura e “começar a desfazer leis, normas e exigências” na região.

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